Em análise sobre o cenário político na capital federal, o jornalista Cláudio Humberto aponta que não há um clima favorável para a investigação do escândalo envolvendo o Banco Master. Segundo ele, apesar da existência de requerimentos para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com número de assinaturas suficiente, uma forte articulação política atua para impedir que a apuração avance de forma independente.
De acordo com Humberto, a decisão de instalar uma nova CPI está nas mãos dos presidentes da Câmara e do Senado, que não demonstram qualquer interesse em dar prosseguimento à investigação. O jornalista destaca ainda que a base aliada ao governo Lula se recusou a apoiar a criação da comissão, reforçando a percepção de uma estratégia para abafar o caso. "Se nascer CPI, não vai ser com o apoio do governo, que tem horror a qualquer tipo de investigação", afirma Humberto.
Diante desse bloqueio, a única esperança de apuração no Legislativo, segundo o analista, reside em comissões parlamentares que já estão em andamento. A principal delas é a CPMI do INSS, que apura fraudes contra aposentados e já convocou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para prestar depoimento. Outra frente é a CPI do Crime Organizado, cujo relator, senador Alessandro Vieira, também manifestou interesse em investigar o caso.
Para completar o cenário de blindagem, Cláudio Humberto lembra que o processo referente ao banco no Supremo Tribunal Federal (STF) tramita sob sigilo máximo. "Quando você atravessa a Praça dos Três Poderes e olha para o Supremo Tribunal Federal, se lembra que lá esse caso também está sob sigilo máximo. Ninguém pode saber de nada", conclui o jornalista.