A três dias do primeiro encontro entre Irã e os EUA, os iranianos interceptaram um petroleiro americano, mas ele fugiu; enviaram um drone na direção do porta-aviões Abraham Lincoln, que o abateu; estão propondo que as negociações previstas para Istambul sejam transferidas para o sultanato de Omã; e querem o encontro apenas com os enviados da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, dispensando os chanceleres sauditas, turcos, egípcios e omanis.
Cercado o petroleiro americano, no Estreito de Hormuz, o comando da flotilha de seis barcos iranianos ordenou que fossem desligados seus motores para que o rebocassem. Ao contrário, como apurou o jornal Wall Street Journal, o petroleiro acelerou em direção à armada americana no Mar da Arábia. A agência de notícias Fars, do Irã, justificou o confronto: o navio de bandeira americana tinha penetrado em águas territoriais iranianas, sem autorização.
Já o drone iraniano se aproximou “perigosamente” da flotilha dos EUA. A agência britânica Reuters confirmou que ele foi abatido. E a agência Fars calculou que o porta-aviões Abraham Lincoln “recuou” 1.400 quilômetros do porto de Chabahar, como se fosse um gesto para aliviar as tensões e permitir o encontro previsto para sexta-feira, em Istambul, se não for transferido para Omã. Os EUA não confirmaram nenhum recuo.
Pelo Irã vai participar o chanceler Abbas Araghchi. Os negociadores americanos Steve Witkoff e Jarred Kushner, genro de Trump, estavam em Jerusalém, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, nesta terça-feira, sondando as condições israelenses para um eventual acordo. Os iranianos estão dispostos a discutir apenas um acordo nuclear. Mas a Casa Branca tem outras duas exigências: que o Irã abra mão de seus mísseis balísticos de longa distância, tirando Israel do alvo, e encerre a sua ajuda a seus tentáculos em Gaza, o Hamas; no Líbano, o Hezbollah; e no Iêmen, os Houthis.
O presidente Masoud Pezeshkian declarou, na segunda-feira, que autorizou negociações “baseadas no respeito e na sabedoria”, mas apenas em um clima livre de ameaças e “expectativas irrealistas”. O drone e a tentativa de apreender o petroleiro americano não estavam imbuídos desse espírito. Mais: o Irã não quer entregar seu estoque de urânio refinado.
Irã e Washington se acusam de ganhar tempo antes de um confronto. A última vez em que os dois países tentaram a diplomacia, em junho, Israel lançou um ataque que decapitou os militares e cientistas nucleares iranianos, e ainda atraiu os EUA para o bombardeio final à usina de Fordo, incrustrada na rocha a uma profundidade que só potentes bombas podem penetrar. Foram 12 dias de guerra.
Witkoff e Netanyahu falaram também sobre Gaza. Israel reafirmou sua posição de que o Hamas tem que ser desarmado e Gaza, desmilitarizada, para que o plano de 20 pontos do presidente Trump possa prosseguir. Ontem, pela porta entreaberta de Rafá, só uma dezena de 45 inscritos para voltar às suas casas, se é que elas continuam de pé, conseguiram cruzar a fronteira.