O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores (PT) deram início às movimentações para definir os candidatos que representarão a base governista nos dois maiores colégios eleitorais do país: São Paulo e Minas Gerais. O objetivo central é construir palanques sólidos para as eleições de 2026, embora os nomes preferidos do Planalto ainda demonstrem resistência em entrar na disputa.
Em Minas Gerais, o cenário é considerado um dos maiores desafios estratégicos. Lula aposta na candidatura do atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para o governo mineiro. O plano, no entanto, enfrenta obstáculos: preterido em uma escolha recente para o Supremo Tribunal Federal (STF), Pacheco tem sinalizado o desejo de abandonar a vida pública ao fim do mandato.
O xadrez político em Minas Gerais
Para viabilizar a disputa, Rodrigo Pacheco precisaria trocar de partido, migrando possivelmente para o MDB. Atualmente no PSD, ele encontra um caminho bloqueado internamente, já que a legenda pretende lançar o vice-governador Mateus Simões como sucessor de Romeu Zema (Novo).
Para o cientista político Malco Camargos, a vitória de Pacheco não é garantida, o que aumenta a hesitação do senador. "Voltar a disputar Minas em um cenário onde não é favorito pode trazer um encerramento de carreira que não lhe interessa", analisa Camargos.
São Paulo e o "fator Haddad"
No maior colégio eleitoral do país, o "candidato dos sonhos" de Lula continua sendo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em entrevista à Rádio BandNews FM nesta terça-feira (3), Haddad reafirmou que prefere atuar na coordenação da campanha do presidente em vez de encabeçar a chapa ao Palácio dos Bandeirantes. "Eu gostaria de participar da campanha do presidente. [Sem ser candidato] é o que eu faço de melhor", declarou o ministro.
Apesar da negativa, o PT mantém o nome de Haddad no radar devido ao desempenho na última eleição estadual, quando perdeu por uma margem de 6%. Caso ele não aceite, o partido avalia nomes de aliados como os ministros Márcio França (PSB) e Simone Tebet (MDB).
O cenário da oposição
Do outro lado, o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) mantém o discurso de que buscará a reeleição. Tarcísio também já declarou que apoiará o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República, consolidando o palanque da direita em São Paulo.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também já descartou publicamente um retorno à disputa pelo governo paulista. A estratégia do PT é mantê-lo na chapa presidencial para a reeleição de Lula, o que obriga o governo a buscar alternativas em partidos da base aliada para enfrentar a polarização no estado.