Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 chegam à cerimônia de abertura com orçamento estourado, obras entregues no limite do prazo e sob pressão após anos de dificuldades financeiras e operacionais, segundo avaliação do próprio comitê organizador. As informações são da agência Reuters.
De acordo com o diretor-executivo dos Jogos, Andrea Varnier, o custo para a realização do evento superou o valor previsto inicialmente na candidatura. O orçamento estimado em cerca de US$ 1,3 bilhão subiu para mais de US$ 1,7 bilhão, além de outros gastos com infraestrutura que incluem aproximadamente US$ 3,5 bilhões em recursos públicos.
Em relatório apresentado nesta terça-feira (3) ao Comitê Olímpico Internacional (COI), Varnier afirmou que a organização enfrentou prazos “quase impossíveis” e precisou operar em condições de emergência durante parte da preparação. Segundo ele, apesar das dificuldades, foi possível entregar a maior parte do que havia sido planejado originalmente.
“A situação financeira do comitê organizador foi extremamente difícil ao longo dos anos”, disse o executivo, em sua última atualização formal antes do início dos Jogos. Ele reconheceu, porém, que o evento não contará com tudo o que havia sido previsto no projeto inicial.
“Os Jogos custaram mais do que o previsto no orçamento da candidatura. Não haverá tudo o que se esperava ou tudo o que queríamos ter”, afirmou.
Um dos principais focos de tensão foi a decisão de construir um novo centro de esportes de deslizamento em Cortina, contrariando a proposta inicial de utilizar instalações temporárias ou já existentes. A obra enfrentou forte oposição do COI, que defendia o uso de estruturas em países vizinhos como Áustria, Suíça, França ou Alemanha.
Outra instalação concluída sob pressão foi a arena de hóquei no gelo de Santagiulia, testada apenas em janeiro. Segundo Varnier, esses dois equipamentos concentraram os maiores desafios do cronograma.
“Houve momentos em que o comitê organizador precisou operar sob condições de emergência”, afirmou. “Ambas as arenas foram entregues literalmente no último fôlego, no limite de todos os prazos disponíveis.”
Apesar das críticas e do aumento dos custos, o CEO disse esperar que as instalações deixem um legado duradouro para as comunidades locais após os Jogos.