Por que a Anvisa proibiu leite condensado e suplementos alimentares?
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Por que a Anvisa proibiu leite condensado e suplementos alimentares?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a interdição e apreensão de produtos alimentares após identificar riscos à saúde pública. A decisão, publicada na segunda-feira (2), envolve um lote específico de leite condensado contaminado por bactéria e dois suplementos alimentares considerados irregulares por falta de registro, origem desconhecida e propaganda enganosa.

Leite condensado foi interditado por contaminação bacteriana

A Anvisa interditou o lote 183/3 B do Leite Condensado Semidesnatado La Vaquita após análises laboratoriais detectarem níveis elevados de Estafilococos Coagulase Positiva (ECP), grupo de bactérias associado principalmente ao Staphylococcus aureus.

O resultado foi obtido pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels, que apontou concentração acima do limite permitido pela legislação sanitária. A presença dessa bactéria pode causar intoxicação alimentar severa, com sintomas como náuseas, vômitos, dores abdominais e diarreia, especialmente quando o alimento é consumido sem novo aquecimento.

Segundo a Anvisa, a detecção do microrganismo indica falhas graves nas Boas Práticas de Fabricação, o que justifica a interdição cautelar do lote.

Empresa citada contesta associação feita pela Anvisa

Após a divulgação da medida, a empresa Apti Alimentos informou que o produto não faz parte de seu portfólio e que houve um erro na vinculação inicial feita pela Anvisa. A agência reconheceu a inconsistência e esclareceu que a interdição se refere exclusivamente ao lote identificado, independentemente do equívoco na associação empresarial.

Suplementos foram proibidos por origem desconhecida e propaganda enganosa

Além do leite condensado, a Anvisa determinou a apreensão e proibição dos suplementos Glicojax e Durasil. De acordo com a agência, os produtos apresentavam múltiplas irregularidades sanitárias, entre elas:

  • Origem e fabricação desconhecidas, sem identificação clara do responsável legal
  • Ausência de registro ou regularização junto à Anvisa
  • Propaganda enganosa, com promessas terapêuticas não autorizadas
  • O suplemento Glicojax alegava ser capaz de controlar os níveis de glicose no sangue, enquanto o Durasil prometia melhora da função erétil e alívio de dores. Nenhuma dessas alegações possui comprovação científica aceita ou autorização para uso medicinal, o que é proibido para suplementos alimentares no Brasil.

    Fiscalização mais rigorosa sobre suplementos

    A decisão faz parte de um movimento mais amplo de intensificação da fiscalização sanitária. Dados divulgados pela própria Anvisa indicam que, em 2025, cerca de 65% dos suplementos analisados apresentaram algum tipo de irregularidade, incluindo falhas de rotulagem, composição inadequada e riscos à saúde.

    Mesmo após a proibição, a agência alertou que alguns desses produtos ainda foram encontrados à venda em plataformas de e-commerce, o que reforça o alerta aos consumidores para verificar a regularização antes da compra.

    Orientação ao consumidor

    A Anvisa recomenda que consumidores:

  • Suspendam imediatamente o uso dos produtos proibidos
  • Não consumam alimentos de lotes interditados
  • Denunciem a venda irregular pelo canal oficial da agência
  • Busquem orientação médica em caso de sintomas após o consumo