Irã diz que reabertura do Estreito de Ormuz depende não de acordo com Omã, mas de EUA aceitarem exigências; saiba quais são
Trump afirmou em várias ocasiões que Teerã deseja chegar a um acordo com Washington para reabrir a rota à navegação, mas o Irã desmentiu e insistiu que, ao contrário, estabelecerá um pacto com seu vizinho
Por O Globo e agências internacionais
06/08/2026 10h15 Atualizado 06/08/2026 10h18
O Irã informou na quarta-feira que chegou a um consenso com Omã sobre uma nova rota de trânsito para navios no Estreito de Ormuz, que está no centro das tensões com os Estados Unidos. O país, porém, afirmou que a reabertura da via marítima depende de várias garantias dos Estados Unidos.
Em entrevista à agência estatal de notícias da República Islâmica (Irna), o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, detalhou as exigências iranianas, afirmando que os EUA devem reverter ações que, segundo o país, violaram compromissos anteriores. Entre as demandas para Washington estão:
- encerrar o bloqueio naval imposto aos portos iranianos em represália à paralisação do estreito por parte de Teerã;
- rever as sanções reimpostas ao Irã após o colapso da trégua — especialmente as que incidem sobre o setor petrolífero — e retomar as negociações sobre os ativos congelados de Teerã;
- abordar a "falha" dos EUA em garantir a estabilidade no Líbano, conforme previsto no memorando de entendimento firmado com Washington em junho.
Desde a retomada das hostilidades com as forças americanas no início de julho, Teerã voltou a bloquear a via estratégica pela qual, antes da guerra, transitavam 20% do comércio mundial de petróleo e gás.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em várias ocasiões que Teerã deseja chegar a um acordo com Washington ara reabrir a rota à navegação, mas o Irã desmentiu e insistiu que, ao contrário, estabelecerá um pacto com seu vizinho do outro lado da passagem marítima, Omã.
O vice-presidente americano, JD Vance, reconheceu em uma entrevista ao canal Fox News que as negociações com o Irã são desiguais e que o governo Trump registrou avanços e retrocessos em seus esforços para chegar a um acordo.
— Vai ser complicado e vai levar tempo para conseguir — disse.
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Vance atribuiu as dificuldades às divisões dentro do governo iraniano, no qual alguns funcionários desejavam o fim do conflito, enquanto alguns "radicais loucos" queriam a continuidade.
— Em primeiro lugar, os iranianos são pessoas extremamente difíceis. Em segundo lugar, o sistema deles é fragmentado — disse Vance.
Ataques contra navios
O Irã não quer voltar à situação anterior à guerra e, no momento, autoriza apenas uma rota ao longo de suas costas. A implementação de uma rota por Omã em junho irritou o país, o que provocou uma série de ataques a embarcações.
O país cogita cobrar taxas de serviço, uma possibilidade rejeitada pelos Estados Unidos e por outros países e que é contrária ao direito marítimo internacional.
A agência marítima britânica UKMTO informou nesta quinta-feira que a tripulação de um petroleiro relatou ter ouvido explosões quando transitava pelo Estreito de Ormuz.
Por sua vez, os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram na quarta-feira que atacaram dois navios-tanque de petróleo sauditas no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, como parte do bloqueio que haviam anunciado contra a frota do reino.
Em outra frente do conflito, o Exército israelense anunciou que dois soldados morreram em combate no sul do Líbano, onde enfrenta o movimento pró-Irã Hezbollah.
Com AFP