Polônia alerta para violação do espaço aéreo, e premier aponta que míssil russo pode ter aberto cratera de 10 metros no leste do país
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Polônia alerta para violação do espaço aéreo, e premier aponta que míssil russo pode ter aberto cratera de 10 metros no leste do país

Autoridades polonesas e europeias afirmaram que míssil Kh-101, de fabricação russa, provavelmente foi responsável por explosão em região inabitada perto de Lublin

Por O Globo, com agências internacionais — Varsóvia

30/07/2026 08h45 Atualizado 30/07/2026 09h09

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou nesta quinta-feira que o objeto que abriu uma cratera de 10 metros de diâmetro em uma plantação no leste do país durante a madrugada era, possivelmente, um míssil russo. O anúncio do premier acontece horas após autoridades emitirem um alerta de violação do espaço aéreo polonês, enquanto a Rússia lançava mais um extenso bombardeio contra a Ucrânia. O episódio aumenta uma tensão já elevada entre a Rússia e os aliados europeus da Otan, e eleva a preocupação de uma extensão do confronto do Leste Europeu à aliança militar ocidental.

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  • Moradores de Tarnawa Kolonia, vilarejo perto da cidade de Lublin, a cerca de 80 km da fronteira com a Ucrânia, denunciaram à polícia uma explosão por volta das 4h (23h de quarta em Brasília), enquanto as forças de Moscou bombardeavam a região de Lviv, no oeste ucraniano. Em nota, as Forças Armadas polonesas disseram que vinham monitorando pelo menos uma dezena de mísseis russos no oeste da Ucrânia durante a noite, incluindo o que foi descrito como "um objeto" que se aproximou da fronteira polonesa. Um caça F-16 chegou a ser acionado para realizar uma interceptação, mas o objeto desapareceu do radar.

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    — Até o momento, tudo indica que estamos lidando com um míssil balístico Kh-101, um modelo russo — afirmou o primeiro-ministro durante uma reunião de emergência nesta quinta, confundindo o tipo de armamento, uma vez que o modelo apontado é um míssil de cruzeiro, antes de se deslocar até o local acompanhado pelo ministro da Defesa Wladyslaw Kosiniak-Kamysz. — Mas não queremos tirar conclusões precipitadas antes que a investigação detalhada seja concluída. Vamos querer ter 100% de certeza sobre que tipo de míssil era e quem o disparou.

    Uma investigação militar foi aberta para apurar o caso, e um helicóptero Mi-24 sobrevoou a região do impacto — uma área inabitada. Autoridades da União Europeia e da Ucrânia apontaram para a Rússia imediatamente, responsabilizando Moscou pela explosão, embora os investigadores não tivessem identificado oficialmente o objeto,

    "Durante a noite, um míssil de cruzeiro russo Kh-101 entrou na Polônia como parte de um ataque massivo contra a Ucrânia, violando o espaço aéreo da Otan", escreveu o ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, em uma publicação na rede social X.

    O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, também emitiu um posicionamento via rede social, no qual afirmou que o "espaço aéreo da Polônia também foi violado" pelo bombardeio russo à Ucrânia. O ex-premier português afirmou ainda que o caso "destaca mais uma vez que a agressão russa é uma ameaça à segurança da Europa como um todo".

    O local do impacto do objeto fica a cerca de 50km de Lublin, onde Tusk se encontrou com Zelensky na véspera. O premer classificou o impacto como uma "coincidência incomum", mas apontou que o país estava pronto para abater o míssil "caso ele continuasse o voo".

    A Polônia é membro da Otan, cujo princípio de defesa coletiva determina que um ataque a um aliado é um ataque a todos. Representantes da aliança não responderam de imediato pedidos de comentário na quinta-feira. A Rússia também não comentou as alegações polonesas e ucranianas.

    Mísseis russos já entraram brevemente no espaço aéreo polonês durante ataques anteriores contra regiões do oeste da Ucrânia, que faz fronteira com a Polônia, mas os mísseis nunca haviam atingido diretamente o país.

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    A ofensiva russa entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta incluiu o disparo de dezenas de projéteis contra Lviv, no extremo oeste do país, onde 31 pessoas ficaram feridas. Ao todo, ao menos oito pessoas morreram em diferentes regiões. A Força Aérea ucraniana disse ter identificado 74 mísseis e 284 drones durante o ataque, dos quais 55 mísseis e 265 drones teriam sido interceptados.

    O maior impacto foi sentido perto da cidade de Kryvyi Rig, no centro da Ucrânia, que matou três adultos e três crianças da mesma família. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que um míssil mirou "uma casa comum", que ficou "reduzida a escombros. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter atingido o complexo militar-industrial ucraniano, além de centros de comunicações e de logística.

    Zelensky reiterou seu apelo por mais suprimentos de defesa aérea para proteger a Ucrânia dos mísseis balísticos russos, tem que discutiu na na terça-feira com o presidente dos EUA, Donald Trump, em uma visita à Casa Branca. Kiev já demonstrou interesse em produzir interceptadores antibalísticos Patriot em seu território. Ainda de acordo com Zelensky, Trump teria concordado em conceder as licenças para a fabricação. (Com AFP e NYT)

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