Taxa das blusinhas: ministro da Fazenda diz que pode propor a Lula volta da taxação se importações afetarem indústria nacional
Setores apelam ao governo para reverter medida após encomendas internacionais dispararem com fim da taxa em maio
27/07/2026 10h57 Atualizado 27/07/2026 10h57
Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você
GERADO EM: 27/07/2026 - 10:57
Ministro considera reativar "taxa das blusinhas" para proteger indústria local
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que pode sugerir ao presidente Lula a reintrodução da "taxa das blusinhas" caso as importações afetem a indústria nacional. Após a isenção da taxa de importação em maio, as encomendas internacionais dispararam, gerando preocupações entre empresários locais. Dados da Receita indicam que as remessas dobraram em relação ao ano anterior, pressionando o governo e o Congresso para uma possível revisão da medida.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
O ministro da Fazenda Dario Durigan disse nesta segunda-feira que pode sugerir a volta da taxa das blusinhas após a Receita Federal identificar aumento de vendas internacionais após fim da medida.
Em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, Durigan afirmou que a equipe econômica acompanha a situação de perto e que a revogação da taxa foi adotada para permitir um período de “amostragem”, a fim de avaliar seus impactos sobre a economia.
— A gente tem visto que tem aumentado a importação desses produtos. Como a gente tem todo controle, a qualquer momento que a gente perceber que está fora do padrão e gerando falta de isonomia para a produção nacional, é possível propor ao presidente uma mudança desse cenário — disse o ministro.
Desde 2024, compras de até US$ 50 tinham imposto de importação de 20% — além de ICMS, geralmente em 17%, que permanece.
Dados da Receita mostram que em junho, após a isenção, foram declaradas 28 milhões de encomendas de pequeno valor, alcançando R$ 2,6 bilhões. Esse volume representa mais que o dobro das remessas do mesmo período do ano passado, de 13,2 milhões (R$ 1,5 bilhão). Em abril deste ano, antes da MP, a quantidade de remessas somava 16,4 milhões (R$ 1,8 bilhão).
Como mostrou o GLOBO, empresários da indústria brasileira têm apelado ao governo que o fim da taxação seja revertido. A revogação foi feita por Medida Provisória (MP) publicada em maio, que tem validade de 120 dias, e terá de ser aprovada pelo Congresso Nacional. Há pressão também sobre parlamentares para deixar a MP caducar.