Pedidos de união, apelo familiar e dificuldade de apoio: os recados do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro
PL oficializa Flávio com vídeo de Michelle, IA de Bolsonaro, acenos e pedidos de ‘união’ na direita
26/07/2026 03h30 Atualizado 26/07/2026 03h30
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GERADO EM: 25/07/2026 - 20:28
Flávio Bolsonaro é lançado à presidência pelo PL com apoio da direita
Flávio Bolsonaro foi oficializado como candidato à presidência pelo PL, em evento marcado por apelos de união da direita e exaltações ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O evento contou com vídeos de Michelle Bolsonaro e uma IA simulando Jair. Destaques incluíram discursos de líderes da direita e ataques a Lula. Flávio enfatizou a família e prometeu endurecer a segurança pública, com foco na violência contra mulheres.
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O senador Flávio Bolsonaro foi confirmado ontem como o candidato do PL à Presidência da República, em convenção que teve discursos clamando por união da direita, acenos às mulheres e exaltação ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No evento na Arena Pacaembu, em São Paulo, foi exibido um vídeo feito por inteligência artificial simulando o ex-presidente. Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com quem o senador se desentendeu e desculpou-se, apareceu em breve mensagem no telão. O discurso mais longo foi o do presidente da Argentina, Javier Milei, que atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e conclamou os brasileiros a votarem em Flávio.
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Assim como Michelle, os irmãos Eduardo, que está nos EUA, e Carlos Bolsonaro participaram apenas por vídeo. Lideranças da direita paulista, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito da capital Ricardo Nunes (MDB), fizeram discursos pedindo união da direita para eleger Flávio, que vem passando por uma sucessão de crises e viu aliados do Centrão se afastarem nos últimos dias.
Legado do pai
Flávio, por sua vez, começou o discurso falando sobre família: exaltou sua esposa Fernanda Bolsonaro (que lhe precedeu nas falas), sua mãe Rogéria e a madrasta Michelle. Depois, mirou o legado do ex-presidente, dizendo que será ele que vai lhe dar a faixa presidencial caso seja eleito.
— Eles não vão nos intimidar, eu posso ser mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado, mas aqui tem sangue de Bolsonaro. E sabe o que a gente vai fazer? O Brasil foi sequestrado e a gente vai libertar o nosso país desse cativeiro. Em janeiro de 2027, Jair Bolsonaro vai subir aquela rampa do Planalto junto com a gente — falou.
Flávio também atacou Lula e fez menções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
— Vocês que estão me assistindo pelas redes sociais, se eu não for o presidente da República, vocês nunca mais poderão escrever com liberdade o que pensam. Porque é isso que Lula vai fazer a partir do ano que vem. Ainda mais com a possibilidade de indicar quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal. Imaginem ele indicando mais quatro Alexandre de Moraes, para onde esse país vai?
Durante a fala de Flávio foi exibido um vídeo produzido por inteligência artificial com a imagem do ex-presidente, que está em prisão domiciliar, proibido de receber visitas e se comunicar publicamente por redes sociais, vídeos ou até mesmo cartas.
“Nenhuma prisão vai calar os milhões de brasileiros que acreditam no nosso país. Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio”, dizia a mensagem.
Flávio destacou ainda uma agenda de endurecimento na segurança pública, com foco na violência contra as mulheres. Os acenos ao eleitorado feminino se estenderam no vídeo de Michelle, que disse que é hora das mulheres “ocuparem lugares”. A menção a Flávio foi pontual. Michelle falou sobretudo para as integrantes do PL Mulher e citou Deus, família e os indecisos.
— Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura. Que ele te dê sabedoria, coragem e força a você e à sua família para cumprir a sua missão, a lealdade e a verdade para o nosso futuro — disse.
O vídeo de Michelle na convenção sela a reaproximação com Flávio, que nesta semana gravou um vídeo pedindo-lhe desculpas. Horas depois, ela também publicou um vídeo em suas redes, aceitando.
No início do evento, Flávio desceu do palco para cumprimentar apoiadores na plateia. Primeiro a tomar o microfone, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, elogiou Bolsonaro.
— Flávio foi escolhido por Jair para continuar o projeto que deu certo — disse.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro enviou um vídeo, no qual criticou Lula por sua afinidade com outros presidentes de esquerda na América Latina e se referiu a Javier Milei como inspiração:
— É isso que a gente vai levar adiante, vai soltar Jair Bolsonaro, anistiar os condenados por 8 de janeiro por crimes que eles não cometeram e fazer essa onda azul da América Latina chegar ao Brasil também.
O outro irmão, Carlos Bolsonaro (PL), afirmou que o pai “abriu os olhos das pessoas para as forças do sistema” do qual tanto Bolsonaro quanto Flávio estão sendo “vítimas”. Flávio chorou com o discurso.
Colado em Tarcísio
Flávio fez questão de permanecer ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante o discurso do governador. O senador transferiu o QG da campanha para São Paulo nos últimos dias e tem o objetivo de colar sua imagem à do governador, que lidera com folga nas pesquisas de intenção de voto.
Tarcísio disse que Flávio não é candidato “pelo sobrenome”, mas pela “lealdade, coragem e compromisso”.
— A gente precisa de um presidente firme e o Flávio acompanhou seu pai em todos os momentos — disse. — A gente precisa de uma virada, olha o que está acontecendo em São Paulo, cuidamos das contas, fizemos investimentos, estamos fazendo a diferença. Sabe por que São Paulo prospera? Porque a esquerda nunca governou São Paulo, e nunca vai governar porque nós não vamos deixar.
O filho de Jair confirmou seu nome à eleição sem chapa definida, em meio a dificuldades para agregar outros partidos em sua coligação e sob o risco de ter que optar por uma chapa “puro-sangue”. Siglas do Centrão, como a federação União-PP, vão adotar a neutralidade na disputa federal. Em São Paulo, porém, local escolhido para dar o pontapé oficial, o senador tem o apoio do diretório estadual da federação e do Republicanos, cujo nome forte é Tarcísio.
Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, dividiu a fala com Flávio, e é uma das cotadas para ser sua vice. A aliança, porém, dependeria do Republicanos embarcar em sua candidatura, o que ainda não foi definido. Ela também acenou ao eleitorado feminino:
— Nós, mães e mulheres, a gente não quer discurso vitimista, a gente quer bandido na cadeia, não é papel. É proteção, oportunidade, creche para poderem trabalhar.