Saiba o que Flávio Bolsonaro disse sobre as urnas eletrônicas e entenda como elas não têm relação com empresa da Venezuela
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Saiba o que Flávio Bolsonaro disse sobre as urnas eletrônicas e entenda como elas não têm relação com empresa da Venezuela

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, atacou as urnas eletrônicas nesta terça-feira, 21, fazendo acusações que já foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Durante uma reunião com diplomatas, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa Smartmatic, da Venezuela. Segundo ele, um relatório da CIA, Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, teria mostrado que a empresa estava envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012.

Segundo o TSE, a notícia falsa circula nas redes sociais desde as eleições de 2018.

O que disse Flávio Bolsonaro?

A declaração foi feita para representantes de cerca de 50 países e organizações internacionais no evento “Debatendo o Brasil”, promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, veículo jornalístico em inglês voltado à cobertura do Brasil para o público internacional.

"Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa", disse Flávio na reunião.

"Há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação", completou o senador.

Durante a fala, Flávio disse ainda que não estava questionando o sistema de votação brasileiro, mas pediu que os países enviem mais observadores eleitorais. A campanha dele emitiu uma nota desmentindo que ele tenha questionado o sistema eleitoral (leia abaixo).

O que diz o TSE?

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a informação é falsa. Em nota, o TSE afirmou que todo o sistema eletrônico de votação foi criado e é gerido pela Justiça Eleitoral brasileira.

"São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país", diz a nota do TSE.

"Dessa forma, o TSE reitera que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras", complementa o TSE.

Em 2022, o TSE também desmentiu a informação falsa de que a empresa Smartmatic teria acesso ao programa que funciona nas urnas eletrônicas brasileiras, e afirmou que o software é desenvolvido e gerido apenas pela Justiça Eleitoral.

As urnas brasileiras usam os próprios meios criptografados de comunicação e transmissão de dados, e não há contato com redes públicas como a internet. O sistema também passa por muitos testes de segurança e é isento de qualquer forma de manipulação ou fraude.

Ainda segundo a nota do TSE, a Smartmatic já prestou serviços de conexão de dados e voz, mas perdeu uma licitação para fabricar urnas eletrônicas em 2020.

“A Smartmatic celebrou contratos com o TSE em outras ocasiões somente para a prestação de serviços de conexão de dados e voz, e não para o desenvolvimento ou operação da urna eletrônica. Além disso, a empresa participou da licitação para a fabricação de urnas eletrônicas para 2020, mas perdeu para a empresa Positivo”, conclui o órgão.

Nota da campanha de Flávio Bolsonaro

A campanha do pré-candidato à Presidência emitiu uma nota em que desmente que Flávio tenha questionado o sistema eleitoral. Leia na íntegra:

“Não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. Em sua fala o pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) O fato originariamente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) Um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas.

Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional.

Afastada qualquer descontextualização das falas do pré-candidato, sua pré-campanha reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas, pois contribuem para o ‘aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições’”.

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