Setor de máquinas é contra retaliação comercial aos EUA
Abimaq defende negociação diplomática e diz que Lei da Reciprocidade não resolverá impasse com Washington
O presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), José Velloso, afirmou nesta 3ª feira (21.jul.2026) que a entidade é contrária à aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Segundo Velloso, a solução para o impasse deve passar pela diplomacia entre os governos e pelo diálogo com empresários norte-americanos, e não por medidas de retaliação.
A Lei da Reciprocidade Econômica chegou a ser apontada pelo governo como uma das alternativas para responder às tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.
Nos últimos dias, porém, o Executivo passou a concentrar esforços em medidas para reduzir os efeitos das tarifas sobre as empresas brasileiras. Entre as alternativas estão a ampliação de linhas de crédito, ajustes no programa Brasil Soberano, a abertura de novos mercados e a possibilidade de editar uma MP (medida provisória) para apoiar os setores afetados. “A gente acha que ainda existe espaço para a diplomacia. O que vai resolver o problema político é a diplomacia do Estado e a diplomacia empresarial”, declarou Velloso depois de reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Velloso afirmou que a Lei da Reciprocidade estabelece etapas antes de uma eventual aplicação, como a realização de consulta pública aos setores afetados. Na avaliação do dirigente, a maioria das empresas seria contrária à medida.
DIÁLOGO COM WASHINGTON
Velloso disse ainda que as tarifas impostas pelos Estados Unidos têm motivação política e lembrou que representantes do setor privado norte-americano manifestaram apoio ao Brasil durante audiência pública realizada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). Para a Abimaq, a prioridade deve ser preservar o diálogo bilateral e buscar a reversão das tarifas por meio das negociações entre os dois países.