PF inicia operação de segurança para presidenciáveis; Renan Santos antecipa convenção e Flávio nega escolta
Pré-candidato do Missão realizou evento de forma online, na manhã desta segunda-feira, e justificou decisão por alegar ser alvo de ameaças de facções criminosas
20/07/2026 11h22 Atualizado 20/07/2026 11h27
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GERADO EM: 20/07/2026 - 11:27
Operação de Segurança da PF para Presidenciáveis Custa R$ 95 Mi
A Polícia Federal iniciou uma operação de segurança para os presidenciáveis, com um investimento de R$ 95 milhões. O pré-candidato Renan Santos antecipou sua convenção devido a ameaças de facções criminosas. Flávio Bolsonaro recusou escolta por desconfiança no diretor da PF, Andrei Rodrigues. A proteção é opcional e coordenada pela Sala Nacional de Comando e Controle.
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A Polícia Federal (PF) iniciou, nesta segunda-feira, a operação nacional de segurança para os candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano. Por conta disso, o pré-candidato do partido Missão, Renan Santos, decidiu antecipar a convenção partidária da sigla — antes prevista para o dia 1 ° de agosto — para a manhã de hoje. Ele alega que a decisão foi tomada com o objetivo de garantir a escolta dos agentes por estar sendo alvo de ameaças de facções criminosas. O senador Flávio Bolsonaro (RJ), por sua vez, pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PL, informou que irá recusar a escolta por "não confiar" no atual diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, além de apontar o risco de provável de "infiltração" em sua campanha.
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Segundo a instituição, o esquema, estimado em R$ 95 milhões, foi preparado para atender até dez candidaturas de forma simultânea, com acompanhamento permanente em todos os estados do país. A proteção já pode ser formalmente solicitada a partir de hoje, dia 20 de julho, desde que as candidaturas já estejam homologadas nas convenções partidárias.
— Voltei do Ceará com mais ameaças de duas facções criminosas. Eu moro em São Paulo, cidade que o Primeiro Comando da Capital (PCC) é perigoso e vem com ameaças contra a gente. Estou hoje no Rio de Janeiro, e recebi mais uma ameaça, agora envolvendo o Comando Vermelho (CV) — alega Renan, em vídeo enviado ao GLOBO.
De acordo com ele, a medida foi tomada por orientação de sua equipe de segurança, uma vez que contar com o apoio da PF "não é conveniência ou redução de gastos", mas sim "questão de sobrevivência".
Renan também convocou os apoiadores para comparecerem ao evento presencial no dia 1° de agosto, em São Paulo, para apresentar suas propostas de governo. O intuito do candidato é já contar com os servidores federais no ato do Missão.
Já Flávio foi às redes sociais para pedir que os agentes que estariam à sua disposição sejam destinados "imediatamente" para as investigações das fraudes nas aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além disso, ele alegou, sem apresentar provas, que Rodrigues poderia "infiltrar pessoas" para prejudicar sua campanha.
"Não confio no atual chefe da PF (Andrei Rodrigues). Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha. A partir de 2027, nossos policiais federais serão valorizados, voltarão a ter autonomia para trabalharem e investigarem bandidos, ao invés de receberem ordens pra perseguir opositores do (presidente) Lula", escreveu o senador.
Segundo a polícia, a adesão à proteção é uma prerrogativa do candidato. As campanhas que optarem por não utilizar o serviço "terão sua decisão respeitada, permanecendo abertos os canais para que a proteção seja solicitada posteriormente".
Como funciona o esquema
A PF informou que, por razões operacionais, não irá divulgar a classificação de risco atribuída individualmente aos candidatos nem o número de servidores destinado a cada equipe. Ao todo, 458 servidores estarão disponíveis, entre agentes de proteção, chefes de equipe e profissionais das áreas de inteligência e de logística.
Apesar de ser estruturada para "garantir tratamento isonômico a todas as candidaturas", cada concorrente terá um planejamento próprio elaborado a partir da análise de risco e atualizado "de acordo com a evolução das ameaças, das vulnerabilidades identificadas e das características de cada compromisso de campanha".
"As avaliações consideram, entre outros elementos, o histórico de ameaças, informações de inteligência, locais dos eventos, acessos, deslocamentos e o contexto de segurança de cada região. Antes das agendas, equipes precursoras realizam o reconhecimento dos locais e articulam as medidas necessárias com as forças de segurança estaduais e municipais", explica a instituição.
A PF mantém contato com os partidos e pré-candidatos já divulgados desde abril deste ano. As 30 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foram oficialmente notificadas e participaram de uma reunião para a apresentação do modelo de segurança.
A estrutura operacional poderá contar, conforme a avaliação de cada agenda e a classificação de risco, com os seguintes equipamentos:
- Veículos blindados;
- Grupos táticos;
- Defesa antidrone;
- Reconhecimento facial;
- Monitoramento de ameaças digitais;
- Kits para vistorias antibombas.
Os servidores envolvidos no esquema de segurança participaram de ações de capacitação que vão desde direção veicular, primeiros socorros, operação de drones e salvamento aquático até formação específica em proteção à pessoa e procedimentos próprios da segurança de presidenciáveis.
As equipes serão acompanhadas em tempo real pela Sala Nacional de Comando e Controle ,ativada nesta segunda-feira. O objetivo do monitoramento é identificar "se algo foge do previsto", o que permitiria tomar decisões ágeis e dar suporte logístico aos profissionais em campo.