Starmer renuncia formalmente ao cargo de premier e faz último discurso antes de Andy Burnham assumir o governo britânico
Em tom de despedida, trabalhista diz deixar o Reino Unido ‘mais forte e mais justo’; novo primeiro-ministro promete restaurar confiança no governo
Por O Globo e agências internacionais — Londres
20/07/2026 08h00 Atualizado 20/07/2026 08h02
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GERADO EM: 20/07/2026 - 08:02
Keir Starmer renuncia; Andy Burnham assume como novo premiê do Reino Unido
Keir Starmer renunciou como primeiro-ministro do Reino Unido, encerrando um governo de dois anos que fortaleceu laços com a Europa, mas enfrentou crises internas. Em seu discurso de despedida, destacou melhorias na economia e serviços públicos. Andy Burnham, conhecido como "Rei do Norte", assume com a promessa de restaurar a confiança no governo e enfrentar desafios econômicos e sociais.
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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou formalmente ao cargo na manhã desta segunda-feira, após audiência com o rei Charles III no Palácio de Buckingham, encerrando um governo de dois anos. Antes da reunião com o monarca, Starmer fez seu último pronunciamento em frente ao número 10 da Downing Street, no qual afirmou que seu “trabalho está concluído” e defendeu o legado de sua administração.
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— Meu trabalho está concluído. Foi o maior privilégio da minha vida servir a vocês e a este grande país como primeiro-ministro, e estou confiante de que o Reino Unido está agora mais forte e mais justo do que estava há dois anos — disse Starmer.
Em seu discurso de despedida, o líder trabalhista afirmou que a economia britânica está mais forte, que os serviços públicos melhoraram, destacando a maior redução nas filas de espera do sistema de saúde em 17 anos, e disse que a imigração caiu “significativamente”. Também afirmou que a defesa e a segurança do país foram fortalecidas e que a reputação internacional do Reino Unido foi ampliada durante seu mandato.
— Vivemos agora em um mundo em que nossos inimigos não medirão esforços para nos dividir por causa dos nossos valores, da nossa liberdade, da nossa decência e, francamente, por causa da nossa firme determinação em apoiar o bravo povo da Ucrânia — disse. — Diante desses ataques, é vital que nos lembremos da grandeza do Reino Unido que está ao nosso redor; (...) que podemos construir um Reino Unido onde toda criança possa chegar tão longe quanto seu talento permitir e onde possamos unir pessoas diferentes.
Ao encerrar o pronunciamento, Starmer declarou apoio integral a seu sucessor.
— Ao passar agora o bastão para Andy Burnham, desejo a ele todo o sucesso. Ele tem meu total apoio. Por mais que o foco muitas vezes esteja nos indivíduos, a política sempre será um esporte coletivo, e as mudanças que entregamos ao nosso país e ao nosso partido pertencem a todos que lutaram por elas. Agradeço novamente a todos hoje. E agradeço ao povo britânico pela oportunidade de servir. Parto com boa disposição. Parto com um sorriso.
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A saída de Starmer ocorre pouco mais de um mês depois de ele anunciar que deixaria os cargos de primeiro-ministro e líder do Partido Trabalhista, após uma sucessão de escândalos, erros políticos e mudanças de posição que desgastaram seu governo. Ele havia levado o partido de volta ao poder em 2024, com uma vitória eleitoral ampla que encerrou 14 anos de governos conservadores.
Burnham, de 56 anos, torna-se o sexto primeiro-ministro britânico desde 2016. Ex-prefeito da Grande Manchester e conhecido como o “Rei do Norte”, ele foi escolhido pelo Partido Trabalhista após a renúncia de Starmer, em meio à avaliação de parlamentares de que seria o nome com maior capacidade para conter o crescimento do partido anti-imigração Reform UK, liderado por Nigel Farage.
Em entrevista publicada no domingo pelo New York Times, Burnham afirmou que pretende romper com a instabilidade política da última década.
— O que temos feito não tem funcionado. É assim que eu vejo as coisas. Vou tentar fazer as coisas de uma maneira diferente — disse.
Segundo sua equipe, o novo premier deverá usar seu primeiro discurso para apresentar prioridades como restaurar a confiança no governo, aliviar a crise do custo de vida, estimular o crescimento econômico e ampliar a descentralização de poderes para as regiões do país. Também é esperado o anúncio dos principais integrantes de seu gabinete, incluindo o substituto de Rachel Reeves no comando do Ministério das Finanças.
Burnham assume o governo em um cenário marcado por baixo crescimento econômico, elevados custos de financiamento da dívida pública, aumento das despesas sociais e pressão provocada pela imigração irregular. Entre os desafios externos, também estão a volatilidade dos preços da energia em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã e as incertezas relacionadas ao governo do presidente americano Donald Trump.
Em atualização.