FMI libera fundos para reconstrução da Venezuela após terremotos que deixaram mais de cinco mil mortos
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FMI libera fundos para reconstrução da Venezuela após terremotos que deixaram mais de cinco mil mortos

Em La Guaira, região mais atingida pelos sismos de 24 de junho, familiares pagam a particulares para retirarem os corpos de seus entes queridos nos escombros

18/07/2026 10h03 Atualizado 18/07/2026 10h03

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GERADO EM: 18/07/2026 - 10:03

FMI Libera US$ 346 Mi para Reconstrução da Venezuela Pós-Terremotos

O FMI liberou US$ 346 milhões para a reconstrução da Venezuela após terremotos que mataram mais de 5 mil pessoas. La Guaira, a área mais afetada, enfrenta dificuldades na busca por corpos, com famílias pagando por ajuda privada. O governo promete identificar todas as vítimas, enquanto milhares de desabrigados vivem em condições precárias. A reconstrução busca atender necessidades de moradia, infraestrutura e serviços essenciais.

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aTrês semanas após o duplo terremoto que deixou mais de 5 mil mortos na Venezuela, o Fundo Monetário Internacional (FMI) liberou na sexta-feira (17) recursos para a reconstrução das áreas devastadas.

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  • Em comunicado no Telegram, a presidente interina, Delcy Rodríguez, informou que a "Venezuela ganhou acesso a US$ 346 milhões de dólares (R$ 1,77 bilhão) de seus próprios recursos retidos pelo FMI", que permitirão "apoiar as famílias afetadas em moradia, infraestrutura, serviços públicos essenciais, entre outras necessidades.

    O anúncio ocorre após o FMI retomar em abril suas relações com a Venezuela, congeladas desde 2019, após a captura de Nicolás Maduro em uma incursão militar americana em janeiro.

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  • Enquanto isso, a angústia dos familiares aumenta ao tentar localizar seus entes queridos ainda sob os escombros de prédios que desabaram com os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 ocorridos em 24 de junho. Segundo o último balanço oficial, o número de mortos subiu para 5.069.

    'Há corpos visíveis'

    Na noite de sexta-feira, parentes e voluntários continuavam buscando cadáveres. Nuvens de moscas se espalham entre as ruínas de prédios desabados em La Guaira, um balneário popular a 40 quilômetros de Caracas que registra os maiores danos.

    — Tem muita gente lá embaixo, ninguém quer mexer com mortos — disse à AFP Hildegar Mujica, um economista de 60 anos que procura sua ex-esposa, soterrada entre placas de concreto empilhadas de uma torre de doze andares que a terra praticamente engoliu. Leida Mata, uma aposentada de 62 anos, morava em um conjunto de quatro prédios em Caraballeda, uma área conhecida do litoral de La Guaira.

    Terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingem a Venezuela

    O desconforto dos familiares aumenta diante das dificuldades para recuperar cadáveres sem ajuda de máquinas. Alguns optaram por alugar retroescavadeiras para erguer paredes que os impedem de chegar até seus mortos.

    — Em nenhum momento se viu, por parte dos órgãos do Estado, interesse pelos corpos que estão dentro de toda essa estrutura de pedra. Na verdade, há corpos visíveis e, se não há familiares que possam reconhecê-los, não são considerados — afirmou Mujica.

    Delcy Rodríguez disse que "ninguém vai para vala comum", ao se referir às ações de seu governo para localizar e identificar as vítimas.

    Imagens de satélite mostram antes e depois de área mais devastada por terremotos na Venezuela

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    Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP

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    Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP

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    Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP

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    Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP

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    Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP

    Pagar para retirar mortos

    Na cidade de La Guaira estão localizados a maioria dos 190 prédios que desabaram completamente devido aos terremotos. Outros 856 sofreram danos que os tornaram praticamente inabitáveis.

    À medida que os dias passam, alguns familiares têm optado por pagar a particulares para que os ajudem na recuperação de seus parentes mortos.

    Um deles contou à AFP, sob anonimato, que vai pagar US$ 300 dólares (R$ 1.535 reais) para que encontrem seu familiar.

    — Por não termos um Estado que nos represente, ficamos à deriva, entregues à vontade de Deus.

    Johan Torumo, um voluntário de 45 anos nascido em La Guaira, é contra a cobrança pelo resgate de cadáveres.

    —Tenho uma testemunha a quem tiraram US$ 1.300 dólares (R$ 6.652 reais — comentou o socorrista, que critica a falta de ajuda oferecida pelo governo.

    O duplo terremoto deixou milhares de pessoas desabrigadas. Mais de 21 mil vivem em acampamentos em condições extremamente precárias de superlotação e escassez.

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