Lula diz que usará “arma da palavra” contra Trump
Presidente afirma que fará disputa de narrativa com os EUA depois de novas tarifas sobre produtos brasileiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 6ª feira (17.jul.2026) que usará “a arma da palavra” para responder ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), na disputa envolvendo o tarifaço sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante visita ao Instituto Estadual de Ortopedia e Traumatologia, no Rio de Janeiro.
A declaração foi feita depois do encerramento do evento, quando Lula voltou ao palco e falou diretamente à imprensa. O presidente afirmou que a estratégia do governo será travar uma “guerra de narrativa” com os Estados Unidos para defender a posição brasileira no conflito comercial.
“Vocês da imprensa devem ter estranhado que eu não falei do tarifaço. Eu não falei do tarifaço porque até agora o Trump não falou da tarifa. Quem falou da tarifa foi o pessoal do segundo escalão dele, que o meu pessoal já respondeu”, disse Lula.
O presidente afirmou que já enviou três mensagens ao líder norte-americano e disse que o Brasil não busca conflito com os Estados Unidos. Segundo Lula, a disputa será pela versão dos fatos apresentada por cada lado.
“Eu já disse 3 vezes ao presidente Trump que o Brasil não tem interesse de fazer guerra. Nós aqui somos da paz. A guerra que quero fazer com ele é a guerra da narrativa, é a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem está falando a verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e EUA. Vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra”, declarou.
A Seção 301 permite ao governo norte-americano investigar práticas comerciais de outros países que considera injustas e aplicar medidas de retaliação. No caso do Brasil, os EUA alegam, entre outros pontos, barreiras comerciais e prejuízos a empresas norte-americanas.
O governo brasileiro tem buscado negociar uma revisão da tarifa. O Palácio do Planalto afirma que as acusações apresentadas pelos EUA são falsas e que a investigação usa argumentos políticos para justificar a medida.