Operação mira esquema que lavou mais de R$ 100 milhões para facções; ligação com operador da Al-Qaeda é investigada
Investigações apontaram que a estrutura financeira, chefiada por pessoas de origem libanesa, prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e também ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC)
Por O Globo — Rio de Janeiro
15/07/2026 07h11 Atualizado 15/07/2026 07h37
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GERADO EM: 15/07/2026 - 07:37
Operação Hawala mira lavagem de dinheiro de facções criminosas e Al-Qaeda
A Operação Hawala, deflagrada nesta quarta-feira, visa desarticular uma rede de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões para facções criminosas, como o Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Investigações apontam conexão com um operador da Al-Qaeda e atuação na Tríplice Fronteira. Oito pessoas foram presas, e a operação busca sufocar financeiramente essas organizações.
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Autoridades de segurança deflagraram, nesta quarta-feira, a Operação Hawala, para desarticular uma rede de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas. As investigações apontaram que a estrutura financeira, chefiada por pessoas de origem libanesa, prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e também ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante as apurações, os agentes identificaram ainda uma possível conexão financeira internacional com um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Oito pessoas já foram presas.
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As equipes visam a cumprir 10 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão, além de medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros, indisponibilidade de bens e participações societárias. As diligências ocorrem em endereços no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais e em Foz do Iguaçu.
A investigação começou a partir da atuação do TCP no Complexo de São Carlos, na região central do Rio. De acordo com as apurações, os mais de R$ 100 milhões foram movimentados entre 2021 e 2024 por meio de empresas de fachada distribuídas em diferentes estados. Esses empreendimentos eram utilizados para conferir uma aparência legal ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas, com a receptação qualificada e com a comercialização de produtos falsificados.
A engenharia adotada pelos criminosos contava com, além das empresas de fachada, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas vinculadas, depósitos fracionados em espécie, "laranjas" para movimentação bancária e operações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos investigados.
Tríplice fronteira
As investigações também apontaram elementos que indicam a atuação de integrantes da quadrilha na região conhecida como Tríplice Fronteira (Brasil–Paraguai–Argentina). De acordo com as autoridades de segurança, nessa área, segundo organismos nacionais e internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, é historicamente monitorada como um importante polo de operações financeiras e logísticas de grupos terroristas. Essas organizações arrecadam recursos por meio de práticas como lavagem de dinheiro, contrabando e tráfico de drogas, além de manterem ligações com facções criminosas brasileiras, como o PCC e o CV. Segundo as apurações, essa estrutura teria sido utilizada para ampliar a capacidade de circulação internacional dos recursos investigados.
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Os agentes também identificaram uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e uma pessoa sancionada pelo Office of Foreign Assets Control (Ofac), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas. De acordo com as informações levantadas pelos investigadores, é essa pessoa que integraria uma estrutura de financiamento da Al-Qaeda. A investigação sobre esse vínculo será aprofundada a partir da análise das provas apreendidas durante a operação.
Facilitador do esquema
Os dados coletados nas investigações apontaram que uma operadora financeira administrava empresas que movimentaram mais de R$ 47 milhões no período investigado, enquanto um contador responsável pela escrituração de empresas ligadas ao núcleo financeiro da quadrilha seria um dos principais facilitadores do esquema.
Segundo a apuração, ele desempenhava papel fundamental para conferir aparência de regularidade às empresas utilizadas na lavagem de dinheiro, deixando de cumprir obrigações legais relacionadas à prevenção desse crime e à comunicação de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Sua atuação é apontada como determinante para a manutenção da estrutura empresarial empregada no esquema. Ainda segundo os agentes, o investigado já figurou em outros inquéritos policiais relacionados a fraudes societárias envolvendo alterações contratuais de empresas inativas e constituição de sociedades utilizadas para práticas ilícitas.
Sufoco financeiro de facções
A ofensiva desta quarta-feira busca sufocar financeiramente as organizações criminosas e desarticular a estrutura responsável pela movimentação e ocultação de seus recursos. As investigações prosseguem para identificar outros integrantes do esquema, localizar novos ativos e aprofundar as linhas investigativas relacionadas às movimentações internacionais dos valores ilícitos, em cooperação com órgãos nacionais e estrangeiros especializados no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
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Estão à frente da ação policiais da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A ação mobiliza ainda policiais do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). As análises financeiras contaram com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil.