Rumble afirma que AGU mudou versão para defender Moraes
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Rumble afirma que AGU mudou versão para defender Moraes

Plataforma e Trump Media pedem que Justiça dos EUA rejeite solicitação do Brasil para extinguir processo

A Rumble e a Trump Media & Technology Group afirmaram à Justiça da Flórida nesta 3ª feira (14.jul.2026) que a AGU (Advocacia Geral da União) mudou de posição sobre o alcance das decisões judiciais brasileiras para tentar encerrar o processo contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), nos Estados Unidos.

Em uma manifestação de 24 páginas, as empresas disseram que o Ministério da Justiça informou ao Departamento de Justiça dos EUA, em junho de 2025, que decisões brasileiras produzem efeitos estritamente dentro do Brasil e precisam ser encaminhadas por canais reconhecidos de cooperação internacional, como o tratado de assistência jurídica mútua e a Convenção da Haia. Eis a íntegra (PDF – 199 kB, em inglês).

Segundo as companhias, a defesa apresentada agora pela AGU segue uma linha diferente ao sustentar que as ordens de Moraes são atos soberanos do Estado brasileiro, protegidos por imunidade e que não podem ser analisados pela Justiça norte-americana.

“Juízes estrangeiros não podem fazer cumprir ordens estrangeiras em solo americano por e-mail e chamar isso de lei”, declararam. A Rumble e a Trump Media afirmam que o processo não questiona a validade das decisões de Moraes no Brasil, mas se elas podem impor obrigações a empresas e usuários nos EUA sem autorização do governo norte-americano ou o uso dos canais diplomáticos.

As empresas concentram a contestação em 3 pontos:

  • Moraes seria a parte diretamente envolvida: as companhias dizem que processaram o ministro pessoalmente por atos que teriam ultrapassado os limites de sua função. Os pedidos não incluem pagamentos pelo Tesouro brasileiro nem ordens dirigidas ao governo do Brasil;
  • as determinações não seriam atos soberanos: a manifestação sustenta que Moraes enviou por e-mail ordens que buscavam bloquear contas, retirar conteúdos, obter dados de usuários e interromper pagamentos nos Estados Unidos, sem recorrer aos mecanismos internacionais;
  • o processo trata dos efeitos nos EUA: as empresas dizem que uma eventual decisão da Justiça da Flórida não invalidaria as ordens dentro do território brasileiro, mas definiria se elas podem ser reconhecidas e aplicadas nos Estados Unidos.
  • O documento foi apresentado no último dia do prazo fixado pela juíza Mary Scriven. Em 7 de julho, a magistrada deu mais uma semana para que as empresas respondessem ao pedido de extinção formulado pela AGU, apesar da oposição do Brasil.

    Scriven negou a tentativa das companhias de alterar a ordem das manifestações, mas aceitou a prorrogação emergencial e indicou que questionamentos sobre a legitimidade da participação brasileira ainda poderiam ser analisados. O mérito do pedido para encerrar a ação não foi decidido.

    A entrada do Brasil no caso havia sido autorizada em 23 de junho. Na mesma decisão, a juíza suspendeu a análise do pedido para declarar Moraes revel, ou seja, réu que não se manifesta dentro do prazo. A AGU sustenta que o ministro agiu no exercício do cargo e que submeter decisões do STF a tribunais estrangeiros viola a soberania brasileira.

    Em uma manifestação separada, apresentada em 10 de julho, Rogério Chaves Scotton, que tenta participar do processo como amicus curiae, também declarou que a autorização para o Brasil intervir não resolveu definitivamente quem é a parte interessada nem a discussão sobre imunidade soberana. O documento não foi apresentado pela Rumble nem pela Trump Media, mas reforça uma das teses usadas pelas empresas. Eis a íntegra (PDF – 700 kB, em inglês).

    A Rumble e a Trump Media pediram que Scriven rejeite a solicitação da AGU e permita o prosseguimento da ação contra Moraes.

    A Rumble está suspensa no Brasil desde fevereiro de 2025. A plataforma foi alvo de decisões de Moraes depois de descumprir ordens da Justiça brasileira, entre elas a obrigação de indicar um representante legal no país.

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