Flávio diz que Moraes quer apenas 'uma desculpinha' para retirar Bolsonaro da prisão domiciliar: 'não vamos ser ingênuos'
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta segunda-feira que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes "quer só uma desculpinha" para retirar o ex-presidente Jair Bolsonaro da prisão domiciliar.
"O que eu percebo é que mais uma vez o Alexandre de Moraes, quer só uma desculpinha pra tirar o meu pai da domiciliar que ele se encontra. Gente, não vamos ser ingênuos", afirmou Flávio.
➡️ Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar. Desde novembro do ano passado, ele cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão por ter sido considerado líder de uma organização criminosa que tentou dar um golpe de estado para mantê-lo no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022.
Nesta segunda, Moraes suspendeu durante 90 dias as visitas de Flávio ao pai por considerar que a leitura, pelo senador, de uma carta do ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma transmissão em uma rede social no sábado (11) desrespeitou a decisão que proibiu o ex-presidente de utilizar redes sociais "diretamente ou por intermédio de terceiros" e que a divulgação do vídeo caracterizou desvio de finalidade do direito de visita.
Com a decisão de Moares, Flávio e Bolsonaro não poderão se ver até meados de outubro, após a realização do primeiro turno das eleições 2026, marcado para o dia 4.
Em uma transmissão nas redes sociais, Flávio afirmou que a decisão desta segunda é "sem pé nem cabeça" e acusou o ministro de tentar interferir nas eleições deste ano.
"É obviamente algo completamente desproporcional, desarrazoado e claramente configura essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições desse ano [...] O que o Alexandre Moraes faz agora é claramente deixar o meu pai incomunicável. Não por acaso ele toma a decisão, deixando o presidente Bolsonaro sem falar com o próprio filho. No caso Flávio Bolsonaro, eu por 90 dias, ou seja, eu só poderia voltar a falar com o presidente Bolsonaro após o primeiro turno das eleições desse ano", disse o senador.
A decisão de Moraes ocorre dias depois do senador Flávio Bolsonaro ter lido uma carta escrita pelo pai em apoio à sua pré-candidato à Presidência da República. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que Flávio era seu "porta-voz" e "melhor opção" para o Brasil.
Moraes, que é relator do processo de execução da pena de Bolsonaro, considerou que Flávio utilizou a visita para obter um documento com o objetivo exclusivo de publicá-lo nas redes sociais, burlando a proibição imposta ao pai
O ministro também afirmou que houve reincidência, uma vez que conduta similar já havia ocorrido em agosto de 2025, o que na época motivou a decretação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.
A divulgação da carta de Bolsonaro gerou reação da oposição e até de aliados e motivou o PT a ingressar com uma representação no STF pedindo a revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro sob o argumento de que ele teria desrespeitado medidas cautelares impostas pelo STF.
A carta de Bolsonaro foi lida alguns dias depois de Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro trocarem acusações pelas redes sociais.
Em meio à crise, Michelle decidiu deixar a presidência do PL Mulher. A renúncia foi acertada em reunião entre a ex-primeira-dama e o presidente nacional do PL.