Entenda os recados enviados por Jair Bolsonaro na carta lida por Flávio em meio a disputa de senador com Michelle
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Ex-presidente se refere ao filho como 'meu pré-candidato' e 'meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade'
12/07/2026 03h30 Atualizado 12/07/2026 03h30
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GERADO EM: 11/07/2026 - 19:46
Bolsonaro Apoia Flávio e Ignora Michelle em Crise Interna do Partido
Em meio a uma crise interna no bolsonarismo, Jair Bolsonaro enviou uma carta, lida por Flávio Bolsonaro, apoiando a pré-candidatura do filho à presidência. Sem mencionar Michelle Bolsonaro, com quem Flávio está em conflito, a carta pede união em torno de Flávio, visto como "porta-voz" para "resgatar o Brasil". A disputa interna ameaça a coesão do partido nas eleições, com Michelle sendo um ativo eleitoral crucial.
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Em mais um capítulo da crise que sua campanha ao Planalto enfrenta por divisões no bolsonarismo, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) leu ontem uma carta assinada pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na qual ele se refere ao filho como seu “porta-voz” e pede apoio à sua pré-candidatura ao Planalto. O texto atribuído ao ex-presidente, que está em prisão domiciliar pela tentativa de golpe de Estado, não menciona a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com quem Flávio vem trocando farpas nas últimas semanas.
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A carta foi divulgada por Flávio, que visitou o pai ontem, durante um pronunciamento transmitido em seu canal no YouTube. No texto, Bolsonaro pede a todos para “deixar de lado as possíveis diferenças” e apoiar seu filho.
“O momento é de arregaçar as mangas, deixar de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. A melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”, diz a carta lida pelo senador.
Na sequência do texto, Bolsonaro se refere ao Flávio como “meu pré-candidato” e “meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”.
Após a leitura, Flávio indicou que a carta é um recado do pai para seus aliados. Segundo o senador, o objetivo é barrar movimentos paralelos à sua pré-candidatura:
— Há muita especulação acontecendo, muitas pessoas parecem que estão boicotando até a candidatura (...). O que ele está dizendo aqui é muito simples. Quero agradecer a ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que, porventura, alguém possa estar seguindo — afirmou Flávio.
Ultimato para campanha
Em seu pronunciamento, o senador também argumentou que a carta é uma espécie de ultimato do pai para “todo mundo cair dentro” e “vestir a camisa” de sua candidatura à Presidência. O evento que oficializará o lançamento de Flávio na corrida ao Planalto está marcado para o dia 25, em São Paulo.
Bolsonaro havia divulgado uma carta pela última vez em março deste ano. Na ocasião, criticou ataques vindos de setores da própria direita a Michelle e também fez um apelo por unidade entre aliados.
O novo gesto do ex-presidente ocorre agora em meio a tentativas da campanha de Flávio de reduzir o desgaste após uma série de ruídos entre o senador e Michelle. O ápice ocorreu no mês passado, quando a ex-primeira-dama divulgou um longo vídeo listando divergências com o enteado, e dizendo ter se sentido desrespeitada por ele durante articulações de candidaturas do PL para as eleições deste ano.
No vídeo, Michelle afirmou que o enteado foi “ríspido” com ela e que “se ele realmente quisesse” conversar para aparar as arestas, “já teria falado”. Na ocasião, conforme noticiou O GLOBO, Michelle afirmou a aliados que Bolsonaro foi informado previamente do vídeo e não impediu sua divulgação.
A ex-primeira-dama também voltou a marcar sua discordância sobre o apoio do PL a Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e destacou seu trabalho com as mulheres do partido. Michelle defendia que o partido apoiasse para o governo o senador Eduardo Girão (Novo) e que também lançasse a então vereadora Priscila Costa (PL), uma de suas principais aliadas, para a disputa ao Senado.
A estratégia de Flávio, porém, foi apoiar o deputado estadual Alcides Fernandes, pai do deputado André Fernandes (PL), para a vaga. Na sexta-feira, o filho de Bolsonaro foi ao Ceará, pela primeira vez desde a crise, para oficializar a pré-candidatura de Alcides.
Após o episódio, Michelle decidiu deixar a presidência do PL Mulher, divisão feminina do partido, reforçando as sinalizações de que não pretende se engajar na campanha de Flávio. No comando do PL Mulher desde 2023, ela percorreu o país estruturando diretórios, identificando novas lideranças e fortalecendo a presença da sigla entre mulheres conservadoras.
Poucas horas depois da divulgação da mensagem de Michelle, Flávio publicou nas redes sociais um vídeo em que afirmou nunca ter desrespeitado uma mulher. Na última quinta-feira, o senador afirmou estar “sempre aberto” a conversar com Michelle e disse esperar que ela volte a participar da campanha quando considerar que chegou o momento.
Ativo eleitoral
A ex-primeira-dama é vista, internamente, como um ativo eleitoral importante para a pré-campanha do senador. A ex-primeira-dama tem entrada no eleitorado feminino, no qual Flávio enfrenta dificuldades e que vem mostrando preferência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisas.
Outro fator é a interlocução de Michelle com o segmento evangélico, tradicionalmente alinhado a Bolsonaro, mas que virou foco de preocupação após ligações de Flávio com Daniel Vorcardo, do Banco Master, serem divulgadas — áudios mostraram que o pré-candidato pediu dinheiro ao dono do Master para a cinebiografia sobre seu pai.
O atrito entre Flávio e Michelle levou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a defender uma reconciliação entre os dois antes da convenção nacional do partido. Ontem, após o aliado divulgar a carta de Bolsonaro, Valdemar afirmou que a eleição “vai ser difícil” para Flávio e não pode haver divisões.
— Se nós perdermos a eleição, Bolsonaro fica mais dez anos preso. Nós não podemos dividir o nosso pessoal. — disse. — Estamos tentando ver esse caso da Michelle porque ela é muito importante para nós. Nós queremos ela de candidata ao Senado e nós queremos ela na campanha (de Flávio). Nós temos que acertar isso, não podemos brigar entre nós. A eleição vai ser difícil, todo mundo sabe disso. Temos que conquistá-la de volta porque ela é importantíssima.
O presidente do PL também comentou a carta:
— Prestigia muito o Flávio e deixa claro que vamos tocar por esse caminho.