Durigan critica sanções dos EUA e cita risco ao Pix
Ministro da Fazenda diz que combate ao crime organizado deve ser feito por instituições brasileiras e alerta para possíveis impactos econômicos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse, nesta 4ª feira (1º.jul.2026), em entrevista à Record TV, que o governo vê com preocupação as sanções impostas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas por suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). Segundo ele, o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelas instituições brasileiras e não por ações externas que possam gerar impactos sobre companhias e cidadãos do país.
A declaração foi dada depois de o governo norte-americano anunciar sanções contra 2 brasileiros, 3 empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal por possível envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado às facções. Segundo autoridades dos EUA, o grupo teria movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.
Durigan afirmou que a cooperação internacional deve ser feita por meio do compartilhamento de informações entre os países. “O que os Estados Unidos podem fazer para nos ajudar? Eles podem nos mandar informação, como a gente manda para eles. Quem tem que cuidar da segurança pública no Brasil são os brasileiros. É a polícia brasileira, são os investigadores brasileiros, é o Coaf, é a Receita Federal”, declarou.
Segundo o ministro, a principal preocupação do governo é uma possível interferência externa em decisões que afetem instituições e empresas brasileiras. “O receio é que haja uma interferência na soberania brasileira. Esse é o nosso receio”, afirmou.
Durigan disse que o governo brasileiro defende o combate ao crime organizado, mas questionou a possibilidade de erros em medidas tomadas por autoridades estrangeiras.
“Se vocês têm informação, se vocês querem contribuir com a nossa repressão ao crime organizado, nos ajudem”, disse ao comentar a cooperação entre os países.
Ele afirmou ainda que sanções equivocadas poderiam atingir empresas sem ligação com atividades ilegais.
“E se eles, a pretexto de quererem combater o Comando Vermelho e o PCC, atingirem uma empresa legal? Esse é o problema. O cidadão não sabe como recorrer dessa decisão”, declarou.
IMPACTOS ECONÔMICOS
O ministro também disse que medidas adotadas fora do Brasil poderiam gerar impactos econômicos sobre o sistema financeiro e meios de pagamento utilizados pela população, como o Pix.
“Pode atingir o Pix”, afirmou Durigan ao comentar possíveis restrições a bancos ou instituições financeiras brasileiras atingidas por medidas internacionais.
Segundo o ministro, a preocupação do governo é evitar que ações externas interfiram em instrumentos utilizados pela população e prejudiquem empresas que atuam legalmente no país.
“Nós temos que cuidar do combate ao crime organizado, mas protegendo o cidadão de bem do Brasil, que não pode sofrer uma interferência externa indevida”, declarou Durigan.