Gilmar anula quebra de sigilo de fundo usado por cunhado de Vorcaro para comprar resort de Toffoli
politica Fuente: estadao_brasil

Gilmar anula quebra de sigilo de fundo usado por cunhado de Vorcaro para comprar resort de Toffoli

'Solução para Toffoli no caso Master foi decidida no puxadinho, em reunião de alcova', diz Andreazza

Colunista analisa porque o ministro Dias Toffoli, do STF, se declarou suspeito para julgar a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros detidos na operação.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes anulou nesta quinta-feira, 19, a quebra de sigilo do fundo Arleen aprovada pela CPI do Crime Organizado. O requerimento foi aceito pelo colegiado nesta quarta, 18.

Para o ministro do STF, a quebra de sigilo apresentada pelo senador Sérgio Moro (União-PR) e aprovada pela comissão não constitui “ato ordinário de investigação, mas medida de caráter excepcional”.

“Parece evidente que os próprios integrantes da CPI tinham ciência a respeito da possibilidade de anulação de seus atos e, mesmo assim, decidiram prosseguir com a votação simbólica, sem discussão sobre os pressupostos da medida investigativa”, diz Gilmar.

Na decisão, o decano cita a ordem do ministro Flávio Dino que suspendeu a quebra de sigilo do empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela CPI do INSS.

“Nesse ponto, sem me alongar de forma excessiva, relembro que o Ministro Flávio Dino (...) registrou que a votação em bloco (ou em globo) de requerimentos de quebra de sigilo ‘parece não se compatibilizar com as exigências constitucionais e legais’”, afirma.

“Afinal, diante da gravidade de que se reveste o requerimento de quebra de sigilo, a Constituição demanda, ainda segundo aquela decisão, análise fundamentada de cada caso, com debate e deliberação motivada, de modo que a aprovação de atos de tal natureza não pode ocorrer em bloco nem de forma simbólica”, escreve o ministro.

Na percepção de Gilmar, “o que se verifica é a reiteração material de providência investigativa já reputada inconstitucional, agora dirigida a sujeito formalmente diverso, mas inserido no mesmo contexto fáticoprobatório anteriormente afastado”.

‘Fraude à decisão judicial’

Em 27 de fevereiro, Gilmar anulou a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações, que pertence ao ministro Dias Toffoli e seus irmãos. A decisão do ministro ocorreu dois dias após a quebra ser aprovada pela CPI do Crime Organizado.

Naquela decisão, Gilmar afirmou que houve desvio de finalidade e abuso de poder por parte dos parlamentares, por se tratar de “circunstâncias desconexas ou alheias ao ato de instauração” da CPI. Segundo o ministro, “a imposição de medidas restritivas só se justifica juridicamente quando guardam estrito nexo de pertinência com o objeto que legitimou a criação da Comissão”.