Segurança, Irã e tensão política: os cenários para a Copa diante da guerra
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Segurança, Irã e tensão política: os cenários para a Copa diante da guerra

A consequência imediata da guerra no Oriente Médio para a Copa do Mundo é saber se o Irã irá ou não participar da competição. Crédito: Marcel Rizzo | TV Estadão

O Irã ainda não está fora da Copa do Mundo. Apesar da declaração do ministro do Esporte iraniano, Ahmad Doyanmali, de que não há condições de disputar a competição nos Estados Unidos, a confirmação só acontecerá quando a federação de futebol do país comunicar a Fifa, o que ainda não ocorreu.

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A imprevisibilidade da guerra no Oriente Médio faz com que, no cenário atual, o mais provável seja mesmo que o Irã não consiga viajar à América do Norte para jogar a Copa para a qual se classificou dentro de campo. Tudo ficou mais complicado após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a presença do Irã não é apropriada por risco à vida e à segurança dos membros da delegação.

A Fifa evita debater publicamente a situação, com exceção de algumas declarações do presidente, Gianni Infantino, em busca de criar um ambiente que permita ao filiado disputar o torneio. Em Zurique, na sede da federação internacional, membros de vários departamentos, de competições ao jurídico e ao financeiro, avaliam diferentes alternativas em uma espécie de gabinete de crise.

A base de apoio nos Estados Unidos é o comitê organizador e os comitês locais, nas cidades-sede. Há diálogo entre Trump e Infantino, mas dirigentes locais ajudam a contextualizar cenários futuros com o olhar interno, com a guerra terminando em breve ou se estendendo por mais semanas. A segurança dentro dos EUA tem sido tema de debates, principalmente pelo receio de que torcedores se sintam inseguros em viajar.

Não há, pelo menos por enquanto, perspectiva de uma consequência mais extrema para a Copa, como adiamento ou cancelamento. Isso só aconteceria em caso de boicote da Europa, por exemplo, se países do continente acabarem envolvidos diretamente na guerra ou se houver motivos para duvidar da segurança dentro dos Estados Unidos.

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Mudar de sede é descartado por vários motivos, principalmente logísticos e comerciais. Há diversos contratos assinados, o que torna impossível essa alteração a três meses do evento, que também terá jogos no Canadá e no México. Patrocinadores já gastaram milhaes de dólares em ativações e pacotes de hospitalidade nos 16 estádios.

Sobre uma eventual substituição do Irã, em caso de confirmação da desistência, a entrada de outro país asiático é a opção lógica e continua sendo a mais provável. Mas outras alternativas, como dar a vaga à Bolívia ou ao Suriname, caso percam para o Iraque na repescagem mundial, ou deixar o Grupo G com apenas três concorrentes (Bélgica, Egito e Nova Zelândia), não podem ser descartadas.