No verão passado, o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. disse que conseguia perceber que alguém estava tendo “problemas mitocondriais” apenas ao olhar para a pessoa. A indicada ao cargo de cirurgiã-geral, Casey Means, destaca as mitocôndrias de forma proeminente em seu livro sobre metabolismo e saúde. E vários suplementos da moda comercializados para longevidade, como a coenzima Q10, a urolitina A e aqueles que aumentam o N.A.D.+, supostamente funcionam ao melhorar a atuação mitocondrial.
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Cientistas que estudam mitocôndrias estão um pouco perplexos com a nova atenção. Mas também estão animados em ver sua organela favorita sob os holofotes.
“Não vou reclamar de as mitocôndrias estarem no centro da discussão agora, porque acho que isso é importante”, diz Pinchas Cohen, diretor da Escola de Gerontologia Leonard Davis da Universidade do Sul da Califórnia. “Mas não consigo realmente explicar como isso aconteceu.”
O que exatamente são mitocôndrias — e é realmente possível torná-las mais saudáveis e aumentar sua expectativa de vida no processo?
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Mitocôndrias para iniciantes
Vamos começar com uma rápida revisão de biologia: as mitocôndrias são as usinas de energia da célula. Elas convertem os alimentos que comemos em adenosina trifosfato, ou ATP, que é a principal forma de energia celular.
Cada vez mais, os cientistas estão descobrindo que as mitocôndrias também participam de outros processos corporais fundamentais. Elas dão suporte ao funcionamento do sistema imunológico, produzem peptídeos que transmitem mensagens entre órgãos e são essenciais para a manutenção geral das células. Em outras palavras, são extremamente cruciais para a saúde.
O número de mitocôndrias em nossas células e sua funcionalidade diminuem à medida que envelhecemos. Acredita-se que isso aconteça em parte porque, durante o processo de produção de energia, as mitocôndrias criam um subproduto tóxico chamado espécies reativas de oxigênio, ou ROS, que pode danificar as próprias mitocôndrias e outras partes da célula. À medida que envelhecemos, o processo de produção de energia começa a falhar, e mais ROS são produzidas.
Ao mesmo tempo, o sistema de reciclagem da célula, que limpa e descarta os danos causados pelas ROS, torna-se menos eficiente. Partes quebradas se acumulam, resultando em mais danos e potencialmente levando à morte celular.
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Mitocôndrias e envelhecimento
Alguns especialistas acreditam que esse declínio na saúde mitocondrial impulsiona alguns dos sintomas e doenças do envelhecimento, incluindo Alzheimer e câncer.
“As mitocôndrias simplesmente desistem antes de outras partes da célula por causa do desgaste ao qual são submetidas”, explica Cohen.
Outros apontam que a disfunção mitocondrial pode ser consequência do envelhecimento e das doenças — e não a causa.
“A pergunta de um bilhão de dólares no campo do envelhecimento mitocondrial, na minha opinião, é causa e efeito”, comenta Vamsi Mootha, professor de biologia de sistemas na Faculdade de Medicina de Harvard. A queda está precipitando o envelhecimento, continua ele, “ou você apenas tem tecido envelhecido que está doente, e por isso tem mitocôndrias doentes?”
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Cuidando das suas mitocôndrias
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Embora ainda seja uma questão em aberto se as mitocôndrias são os principais motores do envelhecimento, está bem estabelecido que seus comportamentos afetam a saúde delas, afirmam os especialistas. E o que é bom para algumas das menores partes das suas células também é bom para o restante do seu corpo.
O exercício físico demonstrou de forma consistente melhorar a função mitocondrial. Em um dos estudos mais convincentes, pesquisadores coletaram biópsias dos músculos da coxa de participantes e encontraram mais mitocôndrias — e mais saudáveis — nas células musculares após um programa de treinamento de oito semanas. Tanto o treinamento de resistência aeróbica quanto o de força foram eficazes, mas fazer os dois em combinação trouxe o maior benefício.
“O exercício provoca um pouco de uso e desgaste das mitocôndrias”, descreve Daria Mochly-Rosen, professora de biologia química e de sistemas na Universidade Stanford e autora de The Life Machines: How Taking Care of Your Mitochondria Can Transform Your Health (As máquinas da vida: como cuidar das suas mitocôndrias pode transformar sua saúde, em tradução livre). Ela acrescenta: “Então, ao se exercitar, você está na verdade dizendo ao corpo inteiro: ok, é hora de repor suas mitocôndrias e deixá-las mais íntegras, criando novas partes para elas.”
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A dieta provavelmente também desempenha um papel, já que os alimentos que você consome são convertidos em ATP. As mitocôndrias alternam entre metabolizar glicose (dos carboidratos) e ácidos graxos (das gorduras), portanto priorize uma mistura de carboidratos ricos em fibras e gorduras de alta qualidade. Isso inclui alimentos como leguminosas, grãos integrais, abacate e peixe.
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Certos micronutrientes, especialmente vitaminas do complexo B e antioxidantes, também são importantes para a saúde mitocondrial. “Isso não significa que você deva tomar suplementos alimentares, mas sim que deve ter uma dieta equilibrada”, informa Daria.
E o sono — idealmente de sete a oito horas por noite — é vital para o processo de limpeza mitocondrial. É durante o sono que suas mitocôndrias conseguem descartar quaisquer partes que foram danificadas ao longo do dia.
As intervenções mais chamativas que estão sendo estudadas (e vendidas) são menos sólidas.
Por exemplo, pesquisas em camundongos sugerem que suplementos que aumentam os níveis de N.A.D.+, uma molécula essencial para o metabolismo celular, poderiam melhorar a saúde mitocondrial. Mas a maioria dos ensaios em humanos não mostrou um benefício clínico claro. E alguns estudos em pessoas que testaram se suplementos antioxidantes, como vitaminas C e E, poderiam ser benéficos, na verdade resultaram em piores desfechos para os participantes.
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A exposição ao frio e ao calor (principalmente por meio de banhos de gelo e saunas) e a terapia com luz vermelha também às vezes são promovidas como benéficas para as mitocôndrias. Mas as pesquisas que sustentam essas afirmações foram conduzidas principalmente em animais e em células em placas de laboratório, portanto ainda é amplamente desconhecido se isso melhoraria de forma significativa a saúde das pessoas.
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