O técnico do Fluminense, Luis Zubeldía, subiu o tom contra o uso de gramados artificiais no futebol brasileiro. Em entrevista ao jornal argentino Olé, o treinador classificou o impacto desse tipo de piso como "cruel" para a saúde dos atletas e revelou que o gramado sintético tem sido um vilão na rotina de desfalques do Tricolor.
"Estatisticamente é cruel: toda vez tenho jogadores lesionados", disparou o treinador, ligando diretamente o piso às contusões em estádios com gramado sintético.
Dores e diferenças dos gramados
Para Zubeldía, o problema vai além das lesões agudas. O comandante tricolor explicou que as partidas disputadas em campos artificiais deixam sequelas que os jogadores carregam ao longo de toda a temporada, afetando a performance e a longevidade física.
"Os jogadores começam a ter dores de costas, cintura e joelho", disse o treinador, ao comentar os efeitos do piso artificial após partidas disputadas nesse tipo de gramado.
Diferença entre estádios: Zubeldía comparou o gramado do Botafogo (Nilton Santos), que considera mais alto e parecido com o natural, com o do Palmeiras (Allianz Parque), que descreveu como "um tapete".
Show acima do futebol?
O treinador argentino também questionou as motivações para a implementação dessas superfícies no Brasil. Para ele, a saúde dos jogadores tem ficado em segundo plano diante de interesses financeiros e estruturais das arenas.
"São decisões econômicas: fazem para aproveitar os estádios para shows ou por falta de sol por causa do tamanho dos tetos", afirmou Zubeldía.
O debate que divide o Brasil
A declaração de Zubeldía coloca lenha na fogueira de uma discussão que divide opiniões entre as comissões técnicas do país.
Enquanto clubes como Palmeiras e Botafogo defendem a tecnologia pela padronização e viabilidade do estádio, outros treinadores e dirigentes frequentemente apontam o desgaste físico excessivo em relação à grama natural.