A alta no preço do petróleo provocada pela escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã pode pressionar os custos do setor aéreo e, no médio prazo, encarecer as passagens. O combustível utilizado pelas aeronaves, conhecido como querosene de aviação (QAV), representa cerca de 40% das despesas das companhias aéreas, tornando-se um dos itens mais sensíveis às oscilações do mercado internacional de energia.
Quando as cotações do petróleo sobem, o preço do querosene de aviação tende a acompanhar esse movimento, aumentando o custo operacional das empresas. Como consequência, parte desse impacto pode ser repassada ao consumidor por meio do reajuste das tarifas aéreas.
Apesar da alta imediata no valor do petróleo nos mercados internacionais, analistas avaliam que o efeito nas passagens aéreas não deve ocorrer de forma instantânea. A expectativa é que o impacto seja percebido apenas nos próximos meses, conforme os custos mais elevados com combustível passem a ser incorporados à estrutura de preços das companhias.
No Brasil, a maior parte do querosene de aviação utilizado pelas empresas aéreas é fornecida pela Petrobras. Segundo dados do setor, mais de 80% de todo o combustível de aviação consumido no país é produzido pela estatal.
A política de preços da companhia prevê reajustes periódicos no valor do QAV. No início de cada mês, a Petrobras revisa os preços do produto comercializado com as distribuidoras. O último aumento foi definido em fevereiro, quando houve reajuste de 9,4%.
Esse aumento ocorreu antes da intensificação dos conflitos envolvendo o Irã. Com a escalada das tensões no Oriente Médio e a consequente pressão sobre o preço do petróleo no mercado internacional, o setor aéreo acompanha com atenção a evolução das cotações da commodity.
Especialistas apontam que, caso a alta do petróleo se mantenha por um período prolongado, as companhias aéreas podem enfrentar uma elevação significativa nos custos operacionais. Nesse cenário, o repasse parcial para o preço das passagens torna-se uma possibilidade para equilibrar as contas das empresas.
O impacto final para os passageiros dependerá da duração do movimento de alta no petróleo, do comportamento da demanda por viagens e das estratégias comerciais adotadas pelas companhias aéreas para absorver ou repassar os custos adicionais.