Fórum dos Leitores
politica

Fórum dos Leitores

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,2%, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) . Não é surpresa. A inflação corrói silenciosamente o poder de compra, já bastante restrito para grande parte da população. O que espanta é ouvir de muitos que a dívida “não tem importância”, pois todos os anos surgem programas que praticamente perdoam os débitos, com descontos que chegam a 90% ou 95%. Cria-se, assim, um perigoso incentivo: quem paga em dia sente-se penalizado, enquanto o mau pagador aprende que basta esperar o próximo perdão oficial. No fim, instala-se uma cultura de irresponsabilidade financeira que corrói não apenas as contas das famílias, mas também a noção de compromisso. Mas quem, em Brasília, parece preocupado com isso? Com o calendário eleitoral já em marcha, a prioridade dos parlamentares não é a saúde financeira do País – é a própria reeleição.

Izabel Avallone

São Paulo

*

Ajuste futuro

É preocupante o cenário da dívida das famílias brasileiras. Segundo o Banco Central, o endividamento como proporção da renda das famílias situa-se em torno de 50%, maior valor da série histórica iniciada em 2005. Já a inadimplência da pessoa física com o sistema financeiro está em 5,4%, taxa mais alta desde 2012. Nesta conjuntura de mercado de trabalho aquecido, com desemprego baixo e renda real crescendo, as famílias poderão postergar o ajuste, porém este certamente virá nos próximos trimestres, com o desaquecimento cíclico da economia. Neste contexto, é altamente irresponsável e populista o governo fomentar o incremento da alavancagem no ano eleitoral, como ocorre com o crédito consignado para trabalhadores do setor privado. O programa, amplamente divulgado pelo governo, não engrenou como esperado. Com isso, há iniciativas do governo para tentar reduzir os juros da modalidade para fomentar o crédito. Quanto mais as famílias se endividam, maior será o ajuste futuro para corrigir os excessos.

Guilherme Micota Stipp

Curitiba

*

Pessimismo

Pesquisas recentes revelam um pessimismo crescente entre os brasileiros em relação à economia, mas que certamente alcança a segurança pública e a saúde. Esse sentimento não nasce do acaso, mas da experiência diária de uma massa que não dispõe de assessores parlamentares nem de privilégios que suavizam a vida dos que ocupam o alto comando. É o povo que vota e que precisa contar moedas para comprar um pão, que conhece o preço do café, do feijão e do arroz, e que, quando pode, leva para casa carne de segunda para moer. É essa mesma população que vai ao final da feira em busca de alface ou cenoura mais baratas, que sente no bolso cada oscilação da inflação e que enfrenta, sem capa ou funcionário, o tribunal da sobrevivência cotidiana. Distante dos corredores do poder, mas essencial à democracia, esse povo sustenta o sistema com seu voto. A massa trabalhadora vê um abismo entre sua realidade e os privilégios de quem deveria representá-la. Talvez seja hora de os que ocupam o alto comando ouvirem mais atentamente o som das moedas contadas no balcão da padaria, pois é ali que se mede a verdadeira distância entre o discurso político e a vida real.

Oswaldo Jesus Motta

Rio de Janeiro

*

Caso Master

Toffoli enfim suspeito

Finalmente vencido pela realidade e o clamor popular, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli não teve outra saída senão declarar-se suspeito de julgar a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de relatar ação que pede uma CPI sobre o caso. A condenável e inadmissível ligação que parece existir entre o criminoso escândalo do banco liquidado com integrantes do alto escalão da República justifica que falemos em podres poderes. Vergonha.

J. S. Vogel Decol

São Paulo

*

Credibilidade abalada

A verdade é que não importa quem seja o relator dos casos envolvendo o Master, por causa da perda de credibilidade institucional do atual STF. Hoje grande parte da população crê que o viés político interfere nas decisões, mesmo os senhores juízes dizendo que não. Melhor seria recomeçar o STF com novas regas, curto mandato para os ministros, sem indicação política. Uma carreira de 30 anos com tamanho poder favorece muita coisa errada, escondida dos olhos populares.

Rafael Sales

São Paulo

*

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

BLINDAGEM POLÍTICA

Enquanto o Planalto articula estratégias para blindar o presidente Lula diante do escândalo do Banco Master e da Comissão Parlamentar de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o cidadão comum assiste a ministros na linha de frente e ao próprio chefe do Executivo mantendo postura institucional. Tudo para reduzir o impacto político e preservar sua imagem. Vale lembrar que, nas eleições passadas, Lula não hesitou em usar a pandemia para atacar seu adversário. Agora, a moeda virou: as fraudes envolvendo o governo – aposentadorias e pensões desviadas e o escândalo do Master – estão nas mãos do adversário de Lula, prontas para enfraquecê-lo. Pau que bate em Chico também bate em Francisco. Enquanto a comunicação oficial tenta atribuir méritos às investigações e ao próprio governo, os culpados reais – banqueiros, gestores e políticos envolvidos – permanecem protegidos, e quem paga a conta continua sendo o povo. Blindagem política não substitui justiça, e esconder responsabilidades não impede que o eleitor veja a verdade.

Izabel Avallone

São Paulo

*

MAR DE LAMA

Diante do mar de lama em que o País se encontra, atolado em meio às inacreditáveis revelações do envolvimento de Daniel Vorcaro com alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no escandaloso e criminoso caso da fraude bilionária do liquidado Banco Master, cabe reproduzir o que bem disse a editora da Coluna do Estadão, Roseann Kennedy (7/3, B5): “A reputação de Alexandre de Moraes e de Dias Toffoli já morreu. (...) A opinião pública já condenou os dois reputacionalmente”. Com efeito, a permanência dos dois ministros do STF parece uma inadmissível afronta e um verdadeiro deboche para com a sociedade. Se dois membros da mais alta corte do País, que deveriam estar acima de qualquer suspeita, parecem diretamente relacionados com um criminoso como Vorcaro, que moral terá o STF para fazer qualquer julgamento doravante? É caso para impeachment, sem mais delongas. Basta!

J. S. Vogel Decol

São Paulo

*

SAPO INDIGESTO

Reputação de Moraes e Toffoli morreu com caso Master, resta saber se STF quer ser enterrado junto (Estadão, 7/3). Moraes, Toffoli e o Supremo Tribunal Federal (STF) já estão com suas reputações mortas e enterradas há algum tempo. E daí? Predadores de topo, sem ninguém para julgá-los, continuarão dando explicações esfarrapadas, impunes, firmes e fortes em seus cargos. Engulamos o choro e mais um sapo indigesto.

Maurílio Polizello Junior

Ribeirão Preto

*

INVESTIGAÇÕES

O caso Banco Master, pelo andar das investigações, ainda terá um longo caminho pela frente. O pivô das falcatruas, Daniel Vorcaro, está preso, e a única novidade até o momento é o seu novo corte de cabelo. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa devem explicações mais convincentes à Justiça e à sociedade sobre seus contatos, revelados pela mídia, com o ex-banqueiro. O presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, confirmou seu apoio ao ministro André Mendonça, relator do processo. É o que se esperava do atual presidente do órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro. Que forças estranhas não o forcem a mudar de rumo.

Sérgio Dafré

Jundiaí

*

IMPOSTO DE RENDA

É para chorar de rir: Daniel Vorcaro declarou renda de R$ 570 milhões em 2024 e teve restituição do Imposto de Renda.

Lincool Waldemar

São Paulo

*

ATAQUES SISTÊMICOS

Os ataques sistêmicos contra nossas instituições, principalmente o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF), são tentativas de desqualificar ou interromper os julgamentos e investigações em que essas instituições atuam: parlamentares acusados de desvios de emendas parlamentares, políticos que atuavam em favor do dono do Banco Master e faria limers envolvidos na Operação Carbono Oculto, que revelou a infiltração de facção criminosa no sofisticado sistema financeiro.

Jorge de Jesus Longato

Mogi Mirim

*

ENDIVIDAMENTO

Enquanto o governo do presidente Lula repete o discurso da inclusão, a realidade é outra: transforma miséria em ativos financeiros e esperança em endividamento. Milhões de brasileiros são empurrados para o cadastro de inadimplentes, para o crédito fácil e para a ilusão vendida por aplicativos de apostas e jogos online. O resultado está aí: mais de 80% das famílias endividadas. O projeto é claro: a pobreza não é um problema a ser superado, mas um negócio a ser explorado. A miséria é o maior ativo da esquerda, é a pedra filosofal do discurso petista. No fundo, o PT depende da existência do pobre para sustentar sua retórica. Sem pobreza, ficaria órfão de sua principal bandeira. Pode-se dizer, sem exagero, que os governos petistas não acabaram com a pobreza: apenas nivelaram o País por baixo, empurrando a maioria dos brasileiros, como se vê nas pesquisas, para uma condição permanente de fragilidade econômica.

Deri Lemos Maia

Araçatuba

*

CARGOS NO GOVERNO

A crítica à aprovação de milhares de cargos no governo, especialmente na educação e na gestão, não pode ser balizada pela necessidade de redução de gastos gerais ou mesmo pelos penduricalhos que algumas carreiras muito específicas amealham (Senado aprova criação de cargos em ministérios, com impacto de R$ 5,3 bi, Estadão, 11/3, A8). Tal como na reforma de uma casa, não se pode comparar os gastos com água, esgoto, fiação elétrica e outros elementos básicos com os gastos com decoração ou mesmo pintura. Investir no básico e cortar no supérfluo – essa é a tônica a ser mantida.

Adilson Roberto Gonçalves

Campinas

*

BANCOS ESTATAIS

Deveriam ser privatizados todos os bancos estatais, principalmente por ações como essa do Banco de Brasília (BRB), que tentou ajudar um banco falido como o Banco Master. A exceção seria a Caixa Econômica Federal, pela sua função social, e o BNDES, por fomentar a economia. Até mesmo o Banco do Brasil deveria ser privatizado.

Vital Romaneli Penha

Jacareí

*

PEQUENEZ

O presidente do Chile, José Antonio Kast, convidou Lula da Silva para a cerimônia da sua posse. Lula não foi. Problema de agenda? Não. Problema de pequenez. Lula não se fez presente porque Flávio Bolsonaro também foi convidado. A Lula não importa reforçar alianças com países vizinhos e mostrar simpatia com um governo recém-eleito. A mesquinharia fala mais alto em Lula. Mas isso não surpreende ninguém. É Lula em estado puro. Um presidente fraco que faz mais um governo pífio, que coloca a ideologia acima da importância do cargo e que, queira Deus e o eleitor brasileiro, irá em breve para casa, deixando o País respirar novos ares – ainda que esses novos ares não tenham um sobrenome tão novo. Infelizmente, diante das circunstâncias e da cegueira política do eleitor brasileiro, qualquer nome já está de bom tamanho para enterrar de vez a era Lula.

Luiz Gonzaga Tressoldi Saraiva

Salvador

*

TERRORISMO

No Brasil, a Lei nº 13.260/2016 define o terrorismo de maneira restritiva, vinculando-o a motivações políticas, ideológicas, religiosas ou xenófobas. Essa delimitação, embora juridicamente necessária, impede que organizações criminosas que atuam com extrema violência e intimidação sejam enquadradas como terroristas, ainda que seus efeitos sobre a população sejam equivalentes ao terror vivido em outras partes do mundo. Esses grupos impõem medo, controlam territórios e desafiam o Estado, corroendo a confiança nas instituições e submetendo comunidades inteiras a um regime de violência. Para o cidadão comum, pouco importa se a motivação é ideológica ou econômica: o resultado é o mesmo – viver sob constante ameaça. Contudo, a legislação vigente não os reconhece como terroristas, criando um descompasso entre a norma e a realidade social. A hesitação em modificar a lei não decorre apenas de questões técnicas. Existe também o receio de ingerência estrangeira. Caso o Brasil passasse a classificar tais organizações como terroristas, abrir-se-ia espaço para pressões internacionais e até mesmo para intervenções externas sob o argumento de combate ao terrorismo global. Preservar a soberania nacional torna-se um fator decisivo para a manutenção da atual definição jurídica. Entretanto, a ausência de medidas efetivas na segurança pública, somada à falta de investimentos robustos em saúde e educação, tem contribuído para o descrédito do governo em pesquisas recentes. A população, que convive diariamente com a violência e com a precariedade dos serviços essenciais, percebe uma distância crescente entre as promessas institucionais e a realidade vivida. Esse desgaste político reforça a sensação de abandono e fragiliza ainda mais a legitimidade das autoridades. Ajustar a lei seria um passo importante, mas insuficiente se não vier acompanhado de investimentos consistentes em segurança, saúde e educação. O verdadeiro combate ao terror cotidiano exige não apenas tipificações jurídicas, mas também ações concretas que devolvam ao povo a confiança em seu Estado e em suas instituições.

Oswaldo Jesus Motta

Rio de Janeiro

*

PESQUISAS ELEITORAIS

Genial/Quaest: Flávio cresce e empata com Lula no segundo turno (Estadão, 11/3). As pesquisas eleitorais estão detectando um avanço significativo da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, as sondagens nas últimas campanhas presidenciais subestimaram a real intenção de votos dos candidatos ligados à direita radical (aparentemente, essa fração do eleitorado é mais avessa a responder pesquisas). Na disputa eleitoral de 2024 nos Estados Unidos, muitos institutos de pesquisa alegaram ter adotado aperfeiçoamentos metodológicos, tanto na coleta quanto na análise dos dados, para reduzir esses vieses de não-resposta. Ainda assim, a distância entre Donald Trump e Kamala Harris, na apuração dos votos, foi maior do que aquela que os institutos de pesquisa estavam projetando. Aqui no Brasil, as pesquisas já mostram um empate técnico entre Flávio e Lula. Se o viés de não-resposta estiver ocorrendo aqui também, esse empate técnico talvez seja um indício de que a real intenção de votos em Flávio já tenha ultrapassado a de Lula. A conferir.

Felipe Eduardo Lázaro Braga

São Paulo

*

PAÍS DO ATRASO

Outro dia pensei em comprar uma arma para a minha defesa pessoal e fiquei revoltado com a quantidade absurda de exigências legais para efetivar tal compra. O direito de legítima defesa do cidadão – direito inalienável em qualquer constituição mundial – é cerceado de forma absurda em um país com leis lenientes, frouxas e cúmplices do banditismo e da criminalidade. Facções criminosas circulam, armadas com fuzis e armas pesadas, em plena via pública, sem serem incomodadas por ninguém. O Brasil é um país em que se criam todos os tipos de dificuldades – seja para o cidadão empreender, criar progresso ou até na defesa do seu patrimônio. Um país de esculhambação total, sem disciplina ou ordem. Um país fracassado, medíocre nas suas políticas e com uma qualidade de material humano de péssimo nível em todos os setores. Nossos gestores, administradores e legisladores são obtusos e sofríveis. Este país jamais será nada além de um país absolutamente atrasado e subdesenvolvido. Nem em mil anos o Brasil será algo além de uma nação de fracassados. O atraso aqui é uma questão cultural.

Paulo Roberto da Silva Alves

Rio de Janeiro

*

EDUCAÇÃO INTEGRAL

Haveria alguma relação entre a estrutura estabelecida pelo governo da educação integral e a queda de matrículas em 2026? Os prédios continuam com a mesma quantidade, entretanto, mantêm metade dos estudantes em período integral. Estruturas que comportavam dois turnos de alunos agora os mantêm o dia todo, inclusive com a diminuição da quantidade de docentes nas escolas. Contribuindo para um debate sério, algumas reflexões a serem consideradas: ‘sistema de educação eficiente"? Será que os estudantes querem ficar o dia todo dentro de um sistema de ensino que oferece a mesma metodologia do século 20? “Bom sinal”? As famílias ficam tempo suficiente com seus filhos para uma parceria com a escola e um possível progresso na educação escolar? Exímio, mas perturbador, o esclarecimento de que “na educação, números não são abstrações, mas trajetórias interrompidas e futuros comprometidos”.

Michela Fernanda da Silva Ganzella

São Paulo

*

ARTE DE VIVER

Vamos para a escola desde a infância, mas não nos ensinam como viver com sabedoria e praticidade. Temos de aprender por nossa conta, em nosso dia a dia. Ao chegar a velhice, nos damos conta dos erros cometidos por falta de conhecimento. Aulas de como viver deveriam fazer parte do ensinamento básico, iniciado em casa e continuado nas escolas e universidades.

Paulo Sergio Arisi

Salvador