Disparada do petróleo após guerra pode ter impacto positivo no PIB e gerar inflação, prevê governo
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Disparada do petróleo após guerra pode ter impacto positivo no PIB e gerar inflação, prevê governo

Guerra lançada pelos EUA e Israel contra o Irã afeta a economia mundial. Hoje, preço do petróleo e do gás dispararam enquanto as Bolsas operavam em queda. Crédito: Crédito: AFP

Gerando resumo

BRASÍLIA - Mesmo diante do choque no petróleo, as perspectivas macroeconômicas para 2026 permanecem favoráveis para o Brasil, segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. O órgão atualizou nesta sexta-feira, 13, a grade de março de parâmetros para este ano e as estimativas preliminares de impactos do conflito no Oriente Médio na economia brasileira. As projeções para as variáveis mudaram pouco, sendo principalmente impactadas pelo aumento nas cotações do petróleo.

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Nos cenários simulados pela SPE, a elevação nos preços do petróleo impacta positivamente a atividade econômica, a balança comercial e a arrecadação, gerando inflação mais pronunciada no caso de choque disruptivo.

Nesse cenário, o impacto para o crescimento brasileiro é positivo em 0,36 ponto porcentual, o superávit comercial aumenta em US$ 10,3 bilhões, levando a uma apreciação cambial de 4,5% e a uma alta próxima a 0,58 ponto porcentual na inflação de 2026. A receita líquida, nesse cenário, aumenta em aproximadamente R$ 96,6 bilhões.

Segundo o órgão, o impacto de variações mais extremas no preço do petróleo — em face dos conflitos no Oriente Médio — sobre a atividade econômica e a inflação não é linear. “Em cenários ainda mais disruptivos, o aumento da incerteza e aversão ao risco tendem a prejudicar o comércio e o crescimento mundial, levando a quadro de estagflação. Nesse caso, o crescimento brasileiro também seria afetado negativamente”, argumentou a pasta.

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    A SPE disse que a expectativa para 2026, mesmo diante do conflito, é de que o crescimento siga resiliente, que a inflação continue em queda e que a meta para o resultado primário seja atingida. “Consolidadas essas expectativas, a inflação média do atual mandato terá sido a menor em comparação a mandatos anteriores, resultado que será obtido em simultâneo à recuperação do crescimento e ao fortalecimento da responsabilidade fiscal.”

    O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, ponderou que não há desejo de “ganhar dinheiro com a guerra”, mas observou que os impactos econômicos de uma alta do petróleo, em decorrência do conflito no Oriente Médio, podem impulsionar a economia brasileira.

    “Os impactos econômicos de uma alta do petróleo — de um ponto de vista do crescimento fiscal, da taxa de câmbio e de várias variáveis macroeconômicas — podem ser até positivos, digamos assim. Podem até ajudar a impulsionar a economia brasileira em 2026. Mas é evidente que nós não queremos, não desejamos que ninguém ganhe dinheiro com a guerra, certo? Não é esse o objetivo”, declarou, em entrevista à imprensa.

    Mello emendou que o governo também não quer que os consumidores brasileiros sejam mais impactados por conflitos; por isso, mesmo diante de um cenário positivo do ponto de vista geral macroeconômico, adotou medidas de mitigação de eventuais impactos negativos do conflito, em particular no preço dos combustíveis.

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    O secretário disse que os cenários produzidos para avaliação dos efeitos da guerra não consideram as medidas anunciadas na quinta-feira, 12, pelo governo federal para conter a alta do diesel. Ele frisou que, como as medidas são voltadas para o diesel, elas não têm grande impacto na inflação oficial.

    “Estamos falando de medidas voltadas para o diesel, para o preço do diesel, que no IPCA não tem peso tão significativo. Então, certamente tem efeitos, mas o mais importante é sabermos que, em cenários como o de choque disruptivo, em que a pressão inflacionária é maior, não há ainda total clareza de como isso pode ser repassado”, argumentou.

    Ele destacou que há colchões de amortecimento, como a própria taxa de câmbio. “Você tem a própria política de preços da Petrobras, que encarrega toda a volatilidade para o preço, você tem a própria taxa de câmbio, que mitiga, vai no sentido contrário do ponto de vista da variação do preço do Brent, você tem essas políticas públicas, como no caso do diesel, que também ajudam a mitigar possíveis pressões inflacionárias.”

    Ele concluiu que tudo isso pode ajudar a ter um cenário inflacionário dentro das expectativas da SPE. “Mas, claro, temos que acompanhar a evolução, digamos assim, do conflito, a duração, a intensidade e como isso vai afetar as principais variáveis macro”.

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    Inflação

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    Após atualização, a estimativa da cotação média do petróleo para 2026 subiu de US$ 65,97 para US$ 73,09 por barril, uma alta de aproximadamente 10,8%. No mesmo período, a estimativa de câmbio médio para o ano caiu de R$/US$ 5,43 para R$/US$ 5,32, uma apreciação de cerca de 2,1%, já considerando o câmbio efetivamente observado nos meses de janeiro e fevereiro.

    Essas mudanças alteraram as estimativas de inflação para 2026. Segundo a SPE, o impacto estimado para uma alta de cerca de 1% no preço do petróleo na inflação medida pelo IPCA foi de 0,02 ponto porcentual, considerando nessa projeção uma alta dos preços na refinaria de gasolina e diesel e um repasse de cerca de 20% a 30% dos preços da distribuidora para os preços de comercialização final.

    Em contrapartida, considerou-se uma redução de 0,06 ponto porcentual para cada 1% de apreciação do real frente ao dólar. Essas mudanças levaram a uma alta de 0,1 ponto porcentual na inflação medida pelo IPCA no ano, já incorporando o resultado do IPCA-15 de fevereiro, ligeiramente acima do esperado, elevando a projeção para 2026 de 3,6% na grade de fevereiro para 3,7% em março.

    Por sua vez, a projeção para a variação do INPC passou de 3,7% para 3,8%, já considerando nesses cálculos o menor peso da gasolina nesse índice.

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    Para a inflação medida pelo IGP-DI, o impacto do choque nos preços do petróleo foi maior. A projeção para a variação desse índice avançou para 4,9% em 2026, ante 4,6% na grade de fevereiro. “O IGP-DI é mais sensível à variação nas cotações do petróleo por conter em sua cesta também itens de atacado, como produtos da indústria extrativa, derivados de petróleo e produtos químicos, inclusive fertilizantes”, explicou a SPE. Da alta projetada para o IGP-DI no ano, já foram compensados o impacto negativo com a apreciação do real no período e a variação abaixo da projetada para o índice em janeiro.

    PIB

    A projeção para o crescimento de 2026 não se alterou na grade de março, permanecendo em aproximadamente 2,3%. A elevação de 10,8% na cotação média do petróleo no ano contribuiu para melhorar o crescimento de 2026 em 0,1 ponto porcentual.

    Em compensação, entre a grade de fevereiro e março houve a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025 e o resultado para a indústria (crescimento de 1,4% no ano), em específico, veio abaixo do esperado pela SPE (alta de 1,7%), reduzindo o carregamento estatístico para o setor em 2026 e, de maneira marginal, também o crescimento projetado para o ano.

    Assim, apesar de a elevação na cotação do petróleo trazer impacto positivo de cerca de 0,1 ponto porcentual para o crescimento, esse impacto foi parcialmente compensado por revisões marginais para baixo na estimativa de crescimento após a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025.

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