Presidente de Cuba confirma ‘negociações’ com EUA
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Presidente de Cuba confirma ‘negociações’ com EUA

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou nesta sexta-feira, 13, que “funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas” com representantes dos Estados Unidos, em um momento de tensão entre Washington e Havana.

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O presidente americano Donald Trump não esconde o desejo de uma mudança de regime em Cuba, governada pelo Partido Comunista e localizada a apenas 150 quilômetros dos EUA. Segundo Washington, o país representa uma “ameaça excepcional”, principalmente por suas estreitas relações com Rússia, China e Irã, aliados de Havana.

O republicano pressionou Havana a “chegar a um acordo” ou enfrentar as consequências. A ilha enfrenta uma crise energética que praticamente paralisou sua economia depois que Washington cortou o fornecimento de petróleo da Venezuela, seu principal fornecedor, e ameaçou impor sanções a outros países que lhe vendem combustível.

“Funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes do governo dos EUA”, afirmou Díaz-Canel em uma reunião com as principais autoridades do país, segundo imagens exibidas pela emissora estatal cubana.

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“As conversas foram orientadas a buscar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações”, acrescentou.

Segundo imagens da emissora, entre os líderes na primeira fila estava Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro, que, apesar de não ocupar cargo no governo cubano, foi mencionado pela imprensa americana como interlocutor do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no contexto de conversas secretas com Cuba.

As declarações de Díaz-Canel confirmam o que Trump já havia afirmado em meados de janeiro, quando indicou que seu governo conversava com autoridades de alto escalão na ilha.

O México, que enviou recentemente a Cuba mais de duas mil toneladas de ajuda humanitária para enfrentar a crise, comemorou a notícia nesta sexta-feira. “O México sempre vai promover a paz e o diálogo diplomático e, em particular, diante dessa injustiça que tem sido cometida há muitos anos contra o povo de Cuba com o bloqueio”, disse a presidente mexicana Claudia Sheinbaum em entrevista coletiva.

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Um comboio internacional que chegará a Havana em 21 de março e conta com o apoio da ativista climática Greta Thunberg transportará “mais de 20 toneladas” de alimentos, medicamentos e equipamentos de energia solar para a ilha.

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    Libertação de prisioneiros

    Díaz-Canel destacou que essas conversas são facilitadas por “fatores internacionais” que não especificou.

    Na noite de quinta-feira, 12, Havana anunciou a libertação em breve de 51 prisioneiros com o apoio do Vaticano, histórico mediador entre Cuba e EUA, sem informar os nomes dos beneficiados nem os motivos de suas condenações.

    A notícia encheu de esperança Yusmila Robledo, esposa de um dos detidos pelos históricos protestos de 11 de julho, quando milhares de cubanos saíram às ruas aos gritos de “abaixo a ditadura” e “liberdade”.

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    “É preciso que o soltem, porque já faz cinco anos que eu venho sofrendo com essa situação dele preso (…) e eu sozinha com meus dois filhos”, disse Yusmila nos arredores de sua casa, no bairro de La Güinera, um dos epicentros dos protestos de 2021.

    A mulher, que também tem dois primos detidos pela mesma causa, disse estar satisfeita com o anúncio das negociações com os EUA. “Se não houver negociação, não avançamos”, afirmou.

    Evitar ‘o confronto’

    Díaz-Canel enfatizou que este é um “processo muito delicado” que “exige esforços enormes e árduos para encontrar um terreno comum que nos permita avançar e nos afastar do confronto”.

    A Igreja Católica atua há décadas como mediadora e canal de diálogo entre Cuba e EUA e desempenhou papel fundamental na reaproximação das relações diplomáticas entre os dois países em 2015, durante o segundo mandato do ex-presidente americano Barack Obama.

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    Em 28 de fevereiro, durante uma visita diplomática à Europa, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, foi recebido em audiência pelo papa Leão XIV.

    Uma semana antes, o secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados, Paul Richard Gallagher, havia se reunido com dois diplomatas americanos: o encarregado de negócios em Havana, Mike Hammer, e o embaixador no Vaticano, Brian Burch.

    No final de fevereiro, Trump disse que considerava uma “tomada amistosa” de Cuba. “Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada amistosa de Cuba”, declarou./Com informações da AFP